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29/09/2009 - 11h13

Filiação de Meirelles ao PMDB depende do aval de Lula

BRASÍLIA - A filiação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a um partido ainda depende de uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se oficializar o PMDB como legenda para disputar as eleições de 2010, preterindo o PP do governador Alcides Rodrigues (GO), Meirelles estará trocando uma candidatura garantida ao governo do Estado por um leque de opções mais amplo - do Senado Federal à Presidência da República -, porém incerto.

Meirelles foi avisado pelos dirigentes do PMDB que, se quiser concorrer a governador pelo partido, o ideal seria sair logo a campo, participar de encontros políticos, fazer contato com as lideranças regionais e " se popularizar " um pouco. O presidente do BC precisa tornar-se um candidato com chance de vencer o senador Marconi Perillo (PSDB). Atualmente, o nome mais competitivo do PMDB é o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, que está disposto a abrir mão da disputa se Meirelles viabilizar sua candidatura.

Surge, então, a primeira dificuldade: para dirigentes do PMDB de Goiás, será tarde demais começar uma pré-campanha em abril de 2010, quando termina o prazo para desincompatibilização do cargo no BC. Meirelles não está disposto a deixar o governo antes disso. Aliás, se fosse atender ao desejo de Lula, permaneceria até o fim do governo.

O presidente em exercício do PMDB goiano, Adib Elias, garante que, filiado ao partido, Meirelles terá espaço político. " Ninguém quer colocá-lo em uma arapuca. Se ele vier, é para participar ativamente da vida do partido " , diz ele. Elias minimiza o fato de Meirelles não ser um político tradicional. " Ele tem muita experiência em buscar investimentos para Goiás. E, quanto à familiaridade com o eleitor, se ele não tem, nós [do PMDB] temos " , afirma.

Pemedebistas estavam ontem apreensivos com a demora de Meirelles em bater o martelo. Amanhã à noite, ele viaja para Copenhague na comitiva do presidente para a definição da sede das Olimpíadas de 2016. O Rio é uma das concorrentes. Como o prazo de filiação termina no sábado, a ficha de adesão terá de ser assinada antes da viagem. O presidente do BC solicitou a conversa com Lula, mas até o início da noite de ontem, ela não tinha acontecido.

Entre as opções oferecidas a Meirelles, está o convite feito pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, para disputar a Presidência da República pela legenda. Poderia ser também uma opção de vice do presidenciável do PSB, deputado Ciro Gomes (CE). Em Goiás, o PP ofereceu a garantia da candidatura a governador e a estrutura do governo para trabalhar por seu nome desde já. Mas o partido foi descartado por, no Estado, ser aliado do DEM - partido que faz oposição mais radical a Lula - e enfrentar oposição do PT.

O caminho considerado mais natural para Meirelles retomar a carreira política - iniciada em 2002 com a eleição para deputado federal pelo PSDB de Goiás e abandonada em seguida para assumir a presidência do Banco Central - seria o PMDB, aliado do PT no Estado. Lula tentou articular uma coligação de todos os partidos de sua base num " chapão " para derrotar Perillo em 2010. Meirelles disse a dirigentes do PMDB goiano que, na impossibilidade de disputar a Presidência ou a Vice de Dilma, teria preferência pelo Senado, por entender que Iris tem larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto. O PMDB comemora antecipadamente a filiação de Meirelles, contando com sua capacidade de captação de recursos, apoio de Lula e sua imagem de sucesso, como um dos responsáveis pela estabilidade econômica do governo petista.

Ainda assim, o presidente do BC é uma incógnita como candidato na eleição majoritária. Em 2002, foi o deputado federal mais bem votado em Goiás. Elegeu-se pelo PSDB, aliado a Perillo. Convidado por Lula a assumir o BC, o então presidente do BankBoston renunciou ao mandato na Câmara dos Deputados e deixou o PSDB.

Pesquisas realizadas em Goiás atribuem a Meirelles 7% de intenções de voto, percentual considerado respeitável para a largada e pelo fato de ser pouco conhecido, principalmente no interior. Há quem aposte que, com injeção de recursos, além de Iris e Lula no palanque, o crescimento será automático. Políticos próximos de Meirelles dizem que seu desejo seria compor a chapa de Dilma como vice - sem contar, claro, ser candidato à Presidência da República. Ele sabe, no entanto, que o presidente licenciado do partido, deputado Michel Temer (SP), presidente da Câmara dos Deputados, é o nome da legenda para qualquer uma dessas opções. (Raquel Ulhôa | Valor)

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