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29/09/2009 - 17h33

Governo gasta neste ano R$ 50 bi a mais em relação a 2008

BRASÍLIA - O governo elevou os gastos em cerca de R$ 50 bilhões no período de janeiro a agosto deste ano, em relação ao mesmo intervalo de 2008. As despesas subiram de R$ 306,8 bilhões para R$ 356,11 bilhões nesta comparação. Somente com a folha salarial foram R$ 15,7 bilhões adicionais, em função de reajustes a milhares de servidores federais.

Reiterando as justificativas da política anticrise, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que o aumento de salários "é algo irreversível", mas fez parte de acordos negociados pelo governo com lideranças sindicais, "para equilibrar a remuneração de carreiras importantes no serviço público".

Enquanto as despesas totais subiram 16,1% sobre janeiro/agosto de 2008, as receitas totais caíram 0,8%, somando R$ 462,5 bilhões, segundo informou o Tesouro.

Augustin disse que, para combater os efeitos desfavoráveis da crise financeira global, o governo adotou "um impulso fiscal positivo", com desonerações tributárias e aumento de gastos com programas sociais.

"Em 2008, o impulso fiscal exigido era negativo, e por isso fizemos um superávit primário maior. Este ano, vamos fazer um superávit menor, e não me parece que 2010 será um ano que vá exigir um primário mais alto, como em 2008, nem tão baixo quanto em 2009", comentou o secretário.

Ele insistiu que o importante "é que o governo está adotando os impulsos fiscais no momento adequado. Neste ano, foi importante ajudar o crescimento da economia para o país sair mais cedo da crise."

Augustin disse que a visão de "uma situação fiscal sólida" foi fundamental para a elevação do país a grau de investimento, decisão anunciada semana passada pela agência de ratings Moody´s.

Ele citou como exemplo de despesa que o governo não deve repetir em 2010 a transferência de cerca de R$ 2 bilhões do Tesouro às prefeituras, como compensação pela queda de receitas do Fundo de Participação dos Municipios (FPM).

A queda da receita no FPM decorreu do recuo na arrecadação de impostos, pela retração da atividade econômica causada pela crise. "Isso não vai ocorrer novamente em 2010", prevê o secretário.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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