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30/09/2009 - 16h24

Apesar de dados favoráveis, DIs têm forte alta

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros acentuaram o movimento de alta no decorrer da tarde e encerram o dia próximo das máximas dos últimos quatro meses na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,08 ponto percentual, a 10,23%, depois de subir a 10,27%. O vencimento para janeiro de 2012 subiu 0,07 ponto, a 11,45%. E janeiro de 2013 projetava 11,99%, valorização de 0,02 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 perdeu 0,01 ponto, para 8,66%. Mas julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, ganhou 0,10 ponto, projetando 9,20%. E outubro de 2009 fechou estável a 8,62%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 437.935 contratos, equivalentes a R$ 38,43 bilhões (US$ 21,43 bilhões), pouco menos que o registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 219.860 contratos, equivalentes a R$ 19,47 bilhões (US$ 10,86 bilhões).

Na visão do analista econômico da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, tal comportamento da curva mostra que o mercado continua apostando na recuperação mais acelerada da economia e que o Banco Central terá que elevar a Selic no começo do ano que vem.

Mas o acúmulo de prêmios hoje não deixa de chamar atenção, já que os indicadores apresentados tanto pelo lado doméstico quanto externo corroborariam mais com uma queda nas taxas futuras. Segundo o analista, o superávit primário consolidado, que somou R$ 5,04 bilhões em agosto, ficou acima do previsto pelos analistas. Fora isso, alguns dados apresentados nos Estados Unidos surpreenderam de forma negativa. O setor privado perdeu 254 mil vagas em setembro, segundo a ADP, empresa que processa folhas de pagamento, e o índice de atividade na região de Chicago voltou a oscilar abaixo dos 50%, mostrando contração. O tom positivo veio com a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de queda de 1% para contração de 0,7%.

Ainda de acordo com o especialista, parte da alta pode ser atribuída às dúvidas envolvendo a carreira política do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que acertou sua filiação ao PMDB. Meirelles disse que ainda não é candidato a nada e que segue no comando do BC até março de 2010.

Um risco ponderado pelo mercado é que o processo de ajuste na taxa Selic pode não ser conduzido por Meirelles. Segundo Rostagno, as dúvidas quanto à sucessão e quanto ao modo de operar do novo comando do BC geram ruído, e o investidor pede mais prêmio para ficar aplicado. Voltando o foco para a condução da política monetária, o analista aponta que mantém sua perspectiva de alta de juros apenas em julho de 2010. Segundo Rostagno, a inflação deve manter tendência de queda até o começo do segundo semestre do ano que vem. O BC só passaria a agir depois disso, quando suas ações de política monetária começassem a ter efeito mais concentrado em 2011. Na gestão da dívida pública o Tesouro anunciou a abertura de bônus da República denominado em dólares com vencimento em janeiro de 2041. Estimativas sugerem a captação de cerca de US$ 1,25 bilhão.

O Tesouro também apresentou o cronograma de gestão da dívida publica interna em outubro. Estão previstos vencimentos no montante de R$ 45,5 bilhões. Já a oferta de títulos públicos em leilões tradicionais está limitada a R$ 35 bilhões.

(Eduardo Campos | Valor)

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