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30/09/2009 - 07h45

Bovespa caiu, mas manteve os 61 mil pontos; dólar saiu a 1,793 ontem

SÃO PAULO - Os principais indicadores do mercado brasileiro encerraram a terça-feira sem grandes alterações. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve leve variação negativa, o dólar fechou estável e os juros futuros voltaram a perder prêmio de risco.

Na agenda do dia, mais dados sobre a economia americana. O tom positivo foi garantido pelo aumento no preço dos imóveis, captado pelo índice S & P Case-Shiller de julho. Mas o mercado passou por um revés, ainda pela manhã, depois que o índice de confiança do consumidor calculado pelo Conference Board surpreendeu de forma negativa em setembro, recuando para 53,1 pontos, de 54,5 em agosto. Com índices em baixa em Wall Street e commodities oscilando no vermelho, os agentes foram às vendas na Bovespa, que chegou a cair 0,92% na mínima do dia. No entanto, a pressão vendedora perdeu força e a perda do dia ficou limitada a 0,13%, com o Ibovespa aos 61.235 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,59 bilhões. Segundo operador de mercado que preferiu não se identificar, segue a história do mercado cansado do movimento de alta, mas sem motivos fortes para vendas acentuadas. Na visão do operador, por ser fechamento de trimestre o mercado não deve passar por grande alteração, já que muitos fundos têm sua cota calculada no com base nisso.

Mas o início de outubro pode ser um divisor de águas, disse. Além de os fundos estarem liberados para a possibilidade de correção, a agenda reserva dados importantes, com o relatório sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos.

Para o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, o que deve dar rumo aos negócios tanto aqui quanto lá fora é a temporada de resultados do terceiro trimestre. " Isso sim tem força para reorientar as expectativas " , diz.

Perfeito lembra que os analistas fizeram previsões para o segundo trimestre vendo dados muito ruins sobre a economia. Só que aconteceu o contrário, o resultado das empresas surpreendeu para cima.

Agora, diz o economista, a mesma coisa deve acontecer com os balanços do terceiro trimestre, só que de forma inversa. Ou seja, analistas mais otimistas do que o resultado que as empresas poderão entregar. Apesar do elevado volume negociado, o dólar comercial teve pouca oscilação no pregão de ontem. Ao final da jornada, a moeda valia R$ 1,791 na compra e R$ 1,793 na venda, sem alteração sobre o pregão de segunda-feira. Na máxima, a moeda foi a R$ 1,798, sendo que bateu 1,787 na mínima.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar teve leve alta de 0,08%, para fechar a R$ 1,7925. O volume na bolsa se recuperou, somando US$ 339,5 milhões, depois de marcar apenas US$ 20,5 milhões na segunda-feira. No interbancário os negócios também subiram, passando de US$ 2,5 bilhões, o triplo do registrado na abertura da semana.

Segundo o consultor em gerenciamento de risco da FCStone, Bruno Lima, tal comportamento da moeda ilustra o momento de incerteza e cautela do mercado. Os agentes evitam posições, pois não há consenso sobre qual rumo o mercado pode tomar.

De acordo com Lima, um sinal claro desse momento de espera é a falta de posições expressivas, seja comprada ou vendida, no mercado de dólar futuro. Hoje, diz o especialista, o pregão pode ser mais agitado, tanto pela agenda externa, que reserva dados relevantes sobre emprego e crescimento nos Estados Unidos, quanto pelo lado doméstico, com a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que liquidará os contratos futuros de outubro negociados na BM & F.

No mercado de juros futuros, as curvas oscilaram entre ganho e perda, mas acabaram o dia apontado para baixo. Segundo o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, a volatilidade do pregão foi garantida pelos dados divulgados ao longo do dia. Mas o que tirou pressão de alta da curva no período tarde foram os indicadores industriais da Fiesp.

Campos Neto chamou atenção para o comportamento do nível de utilização da capacidade instalada da indústria paulista, que ficou em 81,6% em agosto, alta marginal ante o 81,5% de julho, na série sem ajuste sazonal.

O economista lembra que os indicadores de capacidade ganham peso especial a partir de agora, já que os agentes tentam prever por mais quanto tempo e com qual velocidade a economia pode continuar crescendo sem gerar pressões inflacionárias e consequente reação do Banco Central.

Ao final do pregão, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,04 ponto percentual, a 10,16%, depois de subir a 10,27%. O vencimento para janeiro de 2012 subiu 0,02 ponto, a 11,39%. E janeiro de 2013 projetava 11,96%, desvalorização de 0,04 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 perdeu 0,01 ponto, para 8,67%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, caiu 0,02 ponto, projetando 9,19%. E outubro de 2009 cedeu 0,01 ponto, a 8,62%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 456.680 contratos, equivalentes a R$ 39,75 bilhões (US$ 22,19 bilhões), alta de 38% sobre o registrado na sessão anterior. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 206.985 contratos, equivalentes a R$ 18,32 bilhões (US$ 10,23 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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