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30/09/2009 - 12h10

BC reduz projeções para inflação, mas DIs longos têm alta na BM&F

SÃO PAULO - Destaque da agenda doméstica desta quinta-feira, o Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo Banco Central (BC) mostrou uma redução das expectativas inflacionárias para este e para o próximo ano. A a leitura do mercado aponta para uma instituição com uma visão menos agressiva.

Segundo o BC, a inflação medida pelo IPCA deve atingir 4,6% em 2011, percentual baixo do previsto no estudo feito em junho (5%) e próximo do centro da meta, de 4,5%. Para 2010, a projeção também foi reduzida, de 5,4% para 5%.

O cenário de referência utilizado pela autoridade monetária nessas projeções inclui manutenção do juro básico Selic em 10,75% ao ano e taxa de câmbio constante em R$ 1,75.

O mercado avalia que o BC dá sinalizações claras de que não pretende mexer na taxa básica de juros por um longo período, que abrange 2011. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a aposta se reflete em queda dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) mais curtos, mas, na parte longa da curva, o mercado segue inseguro e os prêmios de risco registram alta.

Há pouco, o DI com vencimento em janeiro de 2011 caía 0,01 ponto percentual, para 10,66%, assim como o contrato de abertura de 2012 cedia 0,01 ponto, para 11,46%.

O DI de janeiro de 2013 subia 0,03 ponto percentual, para 11,85%, assim como o DI com vencimento em janeiro de 2014 avançava 0,03 ponto, a 11,83%. O contrato de abertura de 2015, por sua vez, tinha alta de 0,02 ponto, para 11,80%.

O gestor de renda fixa e derivativos da Brasif Gestão, Henrique de La Roque, avalia que o Relatório de Inflação veio dentro do esperado, com um discurso em linha com a última ata divulgada após a reunião do Copom.

"A curva de juros futuros tem oscilado bastante nos últimos dias por conta de declarações feitas pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Henrique Meirelles (Banco Central) sobre a taxação de capital estrangeiro. Hoje vimos um Banco Central menos cauteloso com relação à inflação, o que pode estar levando ao fechamento da curva de juros na ponta mais curta. De qualqer forma, o mercado pode estar embutindo prêmios mais à frente, de olho em alguma surpresa desagradável adiante", afirmou.

O analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, também avalia que o Relatório de Inflação trouxe um cenário internacional mais tranqüilo, sem riscos de inflação, e que, no Brasil, as precupações também estão menores com relação a uma aceleração dos preços.

"A discussão principal do Relatório ficou com o juro neutro. De certa forma, o BC está tentando justificar o argumento da ata da última reunião de que o juro neutro está menor. Embora não tenha citado valores, ele deixou claro o declínio ao longo dos últimos anos", comentou.

Em sua avaliação, o documento deixou explícita a estrutura de manutenção dos juros por um período "bem prolongado". "O cenário é bem pertinente. O pior momento sobre as dúvidas em relação a um ' 'double dip' já ficou para trás", afirmou Goulart.

Na gestão da dívida pública, o leilão realiza hoje leilão tradicional de venda de Notas do Tesouro Nacional - série F (NTN-F) e de Letras do Tesouro Nacional (LTN).

(Beatriz Cutait | Valor)
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