UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

01/10/2009 - 18h18

Análise: Mercado externo puxa queda de 1,72% na Bovespa

S ? AO PAULO - Depois de um setembro bastante forte, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) inaugurou o quarto trimestre com variação negativa. Com vendas generalizadas, o Ibovespa perdeu de 1,72%, aos 60.459 pontos, com giro financeiro em R$ 5,28 bilhões.

No entanto, o mercado local não deixou de mostrar força, conforme notou o sócio e diretor de operações da Hera Investment, Nicholas Barbarisi. Durante a manhã, o índice resistiu bem às perdas externas e só engatou no movimento de baixa quando o Dow Jones passou cair mais de 2%.

Em Wall Street, os dados negativos apresentados ao longo do dia serviram de desculpa para uma esperada realização de lucros. O Dow Jones caiu 2,09%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq perderam 2,58% e 3,06%, maiores perdas diárias em quase três meses. De acordo com Barbarisi, o mercado brasileiro continua demonstrando força porque a entrada de recursos externos segue firme. Tal comportamento do investidor estrangeiro mostra um voto de confiança na estabilidade econômica do pais e nas boas perspectivas para 2010. No entanto, diz o diretor da Hera Investment, esse mesmo comportamento requer mais atenção. Isso porque se estrangeiro mudar de lado e passar a atuar mais na ponta vendedora, o mercado local pode ter uma queda bem acelerada. "Por ora, tudo isso acontece com viés de realização de lucros, não de tendência", explica Barbarisi. Pelo lado técnico, o especialista aponta que os suportes no movimento de baixa estão aos 60 mil e depois aos 58,5 mil pontos. Respeitando essas linhas o índice segue em tendência de alta. Outubro também reserva o começo da temporada de balanços trimestrais. Pelo lado externo, Barbarisi acredita em melhores resultados para os bancos. Por aqui, a melhora deve ser mais generalizada, mas o destaque deve ficar, mais uma vez, com as empresas que possuem grande endividamento em dólar. No front corporativo, os carros chefes pagaram o preço da liquidez. Petrobras PN caiu 2,15%, para R$ 34,05, e Vale PNA cedeu 2,54%, a R$ 35,67. Entre as siderúrgicas, Gerdau PN e CSN ON também perderam mais de 2% cada, para R$ 23,11 e R$ 52,92.

Destaque, para o papel PN do Itaú Unibanco, que reverteu perdas para encerrar com alta de 0,47%, a R$ 35,85, com terceiro maior volume do dia. Já os companheiros de setor, que oscilaram em alta pela manhã, não resistiram à pressão vendedora. Bradesco PN desvalorizou 0,62%, para R$ 35,03, e Banco do Brasil ON devolveu 1,85%, para R$ 30,65, depois de bater R$ 31,60. Com a maior baixa dentro do índice, Rossi ON cedeu 6,66%, para R$ 13,30, e Gafisa ON caiu 4,42%, para R$ 25,50. As duas ações estão entre as que mais subiram no ano dentro do Ibovespa. Até ontem, Rossi avançava 284% desde o começo de 2009, enquanto Gafisa acumulava alta de 157%. Ainda na ponta vendedora, Bradespar PN, Aracruz PNB, Cyrela ON, Klabin PN, VCP ON, Lojas Renner ON e Gol PN caíram mais de 3% cada.

Escapando às vendas, MMX ON subiu 3,66%, para encerrar a R$ 11,30. Entre os 63 listados no Ibovespa, o papel é o que mais subiu no ano. Entre janeiro e setembro, a ação se valorizou 293,5%. Setores defensivos também atraíram compradores. Eletropaulo PNB ganhou 0,77%, para R$ 36,53, Light ON teve acréscimo de 0,32%, a R$ 24,78, e Telesp PN subiu 0,29%, a R$ 43,72. (Eduardo Campos | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host