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01/10/2009 - 19h07

Fazenda diz que alta dos juros futuros é "terrorismo fiscal"

BRASÍLIA - As fortes oscilações de alta das taxas de juros futuros são tentativas especulativas do mercado financeiro, na visão do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. "Há um componente político, uma tentativa de terrorismo fiscal para provocar uma subida na taxa de juros de longo prazo, por parte de alguns analistas. Mas acho que a realidade vai se impor, que vai se provar equivocado, pois o mercado também erra", disse Barbosa.

O movimento de subida dos juros no mercado futuro, hoje em especial, levou Barbosa a, pela primeira vez, chamar jornalistas ao seu gabinete para passar recado enviado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que está no exterior.

"Do ponto de vista da economia, a política fiscal é consistente com o cumprimento da meta da inflação. Vemos um crescimento da economia neste segundo semestre que não coloca em risco as metas de inflação. Você tem também uma situação cambial que puxa a inflação para baixo. Logo, não requer aumento dos juros", disse o secretário.

Ele criticou analistas do mercado financeiro que estão focados no aumento de gastos do governo neste ano de crise. E admitiu que, apesar de a atividade econômica voltar dar sinais de recuperação da crise, a arrecadação do governo, que cai fortemente com a crise global, ainda não retornou ao mesmo nível.

"Há o mercado vendo esse descompasso e coloca em dúvida", comentou ele. "É certo que é preciso um cuidado com os gastos, mas o aumento de gastos é temporário, pois existem despesas como aumento de salários para recomposição de carreiras de Estado que não se repetirão", continuou Barbosa.

Ele destacou que não só o mercado, como também a oposição ao governo no Congresso, está tentando tirar partido da queda no superávit primário e do aumento da dívida líquida do setor publico, que saiu de 38,8% do PIB em agosto de 2008 para 44% do PIB em agosto de 2009.

Mas Barbosa procurou "bater" nos críticos: "o grau de incertezas que se tem hoje na economia torna previsões sobre juros futuros muito pouco confiáveis", afirmou. "Principalmente porque o mercado também erra", continuou.

Segundo ele, com a piora da crise ao fim de 2008, muitos analistas duvidavam que "a taxa de juros estivesse abaixo dos 10% anuais ao fim de 2009". A taxa básica Selic está em 8,75% ao ano.

"Temos uma politica fiscal consistente, e a perspectiva é de que a dívida versus PIB volte a cair já em 2010", continuou Barbosa. "Nossas projeções não indicam a inflação subindo no fim de 2010. Além disso, o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne a cada 45 dias para adaptar a taxa de juros à conjuntura", prosseguiu.

Barbosa citou ainda que o grau de incerteza que paira sobre a economia mundial, com muitos países ainda em recessão, anula "considerações sobre o que vai acontecer daqui a mais de um ano, um ano e meio". "Acho que esse movimento de mercado pode refletir, também, as eleições do ano que vem. O consistente é que a política fiscal não coloca em risco a trajetória da inflação, e o próprio Banco Central está apontando isso", concluiu Barbosa.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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