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01/10/2009 - 13h20

Fiat crê que retomada pode compensar fim da desoneração de IPI

RIO - O fim da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor automobilístico não deverá provocar uma queda abrupta nas vendas no mercado brasileiro. A opinião é do presidente da Fiat no Brasil, Cledorvino Belini, para quem o avanço dos tributos será em parte compensado por um aquecimento da atividade econômica. O executivo disse que em setembro a indústria automobilística vendeu o recorde de 297 mil veículos, com uma fatia de 24,6% nas mãos da empresa italiana, que investirá US$ 5 bilhões no país entre 2008 e 2010 e já atingiu a meta de produzir 1 milhão de carros na soma dos mercados de Brasil e Argentina.

"De um lado tem o IPI, mas de outro, a economia brasileira está se deslocando da crise. Sem dúvida não será o volume que foi no mês passado, mas esperamos que o mercado continue forte, junto com toda a economia brasileira", destacou Belini, que participou no Rio do lançamento do novo Fiat Cinquecento no país. O veículo, importado da Polônia, custará entre R$ 62.870 e R$ 68.970.

O presidente da montadora lembrou que a redução do IPI contribuiu com cerca de 300 mil unidades vendidas nos nove meses em que vigorou. A partir de hoje, as alíquotas voltam a subir, até o retorno ao patamar anterior à desoneração, o que acontecerá em janeiro. Apesar de elogiar a atuação do governo para enfrentar a crise, Belini ressaltou que a tributação sobre o setor ainda é elevada e ponderou que a redução do IPI entre janeiro e setembro foi mais que compensada pelas elevações nas arrecadações de PIS/Cofins, ICMS e IPVA.

"A elasticidade preço-demanda é muito forte no Brasil e conseguiu-se, com menores taxas e impostos, alavancar o volume de vendas", disse.

Atualmente, a produção brasileira de veículos está na casa de 3 milhões de unidades por ano, para uma capacidade instalada de 4 milhões de automóveis. Apesar da produção ter dobrado nos últimos cinco anos, Belini afirmou que o ideal seria atingir uma produção de 5 milhões por ano, de forma a garantir escala e competitividade para a indústria nacional, que já chegou a obter, no passado, um saldo externo de 800 mil veículos, mas que hoje vende para o exterior volumes próximos às importações. Para o executivo, o crescimento do mercado e os benefícios obtidos com o aumento da escala poderiam contribuir para elevar a competitividade dos automóveis brasileiros no exterior, tornando desnecessária a adoção de eventuais medidas de proteção contra importações, como o aumento de tarifas.

"Enquanto competimos com (uma produção de) 3 milhões de unidades, outros países têm produção de 10 milhões, o que cria grande escala", disse, elogiando o desempenho do mercado brasileiro, que cresceu 4% frente ao ano passado, enquanto na Europa houve queda de 20% e na área do Nafta - Estados Unidos, Canadá e México - o tombo chegou a 35%.

O bom desempenho dos mercados emergentes na saída da crise econômica pode fazer com que nações como Brasil e China liderem a retomada na produção de caminhões, setor que, para Belini, teve uma performance ruim a partir do agravamento da turbulência internacional.

"Esperamos que, com retomada da economia, esses setores também sejam beneficiados. Os emergentes estão crescendo mais rápido, mas os países na Europa estão dando grandes subsídios para renovação de frota", explicou.

(Rafael Rosas | Valor)

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