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01/10/2009 - 18h05

Governo reduz meta de exportações de 2009

BRASÍLIA - O governo reduziu a meta de exportações para 2009 de US$ 160 bilhões para algo em torno de US$ 158 bilhões. O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, afirmou hoje que "seguramente, a meta inicial não será alcançada", por conta da queda nas vendas externas em função da crise global. De janeiro a setembro, o conjunto das exportações brasileira recuou 25,1% sobre período igual de 2008, com ênfase nos produtos industrializados, cuja queda foi de 31%. O valor acumulado no período foi de US$ 111,783 bilhões, ante US$ 150,85 bilhões nos nove primeiros meses do ano passado. O saldo comercial no período é de US$ 21,275 bilhões, 8,1% acima do resultado de janeiro a setembro de 2008 (US$ 19,686 bilhões). Mas isso porque as importações caíram ainda mais que as vendas, em 30,3%, para US$ 90,508 bilhões.. "É preciso lembrar que o Brasil está sendo um dos primeiros a sair da crise, pela condução eficiente do governo e o bom desempenho da demanda interna. Mas o problema do comércio exterior é a recuperação lá fora, onde os outros países ainda estão longe de sair da crise", comentou Barral.

De forma crítica, Barral disse que há certas travas no país que ainda impedem uma maior expansão das operações mercantis com o exterior.

"Muita gente ainda não se convenceu de que comércio exterior é mais tecnologia, é uma visão mais cosmopolita do mundo", afirmou o secretário. E citou como exemplo "a visão de curto prazo" de determinados segmentos empresariais e "desestímulos tributários" por parte de secretários de Fazenda estaduais, que retém o ICMS de insumos de mercadorias exportadas. "Estamos buscando repetir o comportamento das exportações de 2007, pela difícil recuperação dos compradores do Brasil", avaliou Barral. Em 2007, as exportações brasileiras atingiram US$ 160 bilhões, acima dos US$ 137 bilhões de 2006, mas inferior ao patamar recorde de US$ 198 bilhões de 2008.

Ele reiterou que medidas para aumento da competitividade dos produtos nacionais lá fora são necessárias, como a redução de impostos, de burocracia e de custos logísticos. Em 2010, disse Barral, "o mundo pós-crise será mais competitivo, porque os mercados encolheram e preços de manufaturados caíram. Vamos levar de dois a três anos para repetir o desempenho excepcional de 2008", concluiu.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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