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01/10/2009 - 11h55

Dólar tem queda menos acentuada e vale R$ 1,686 na venda

SÃO PAULO - O dólar segue em queda, não apenas ante o real, mas também em relação ao euro, iene e moedas commodities.

Por volta das 12h20, o dólar tinha desvalorização de 0,29% ante o real, cotado a R$ 1,684 na compra e a R$ 1,686 na venda. A queda da moeda americana já é menos acentuada, em relação ao movimento observado mais cedo. Na mínima, o dólar foi a R$ 1,675. Vale citar que hoje o Banco Central (BC) já promoveu um leilão de dólares no mercado à vista. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F tinha declínio de 0,17%, a R$ 1,695. Para o diretor da Global Hedging, Wolfgang Walter, a desvalorização do dólar observada desde a abertura do pregão desta sexta-feira pode ser atribuída ao cenário externo. As bolsas americanas abriram em alta e o euro registrava, há pouco, valorização de 0,80% ante o dólar, cotado a US$ 1,3746. As commodities também estavam em alta. O índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, subia 0,44% há pouco.

Ele não descarta a possibilidade de os investidores estarem se antecipando a um eventual aumento na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O governo estaria esperando as eleições de domingo para fazer o reajuste. Porém, Walter nota que, há seis dias, o real se mostra estável ante o euro, ao mesmo tempo que se valoriza fortemente em relação ao dólar. Pode-se concluir que não é a moeda brasileira que está se fortalecendo, mas o dólar que está de fato enfraquecendo. Diante disso, vale questionar se as medidas que o governo brasileiro ameaça adotar para conter a valorização do real vão dar resultado apenas no curtíssimo prazo. Walter respondeu a pergunta lembrando que a intervenção recente do governo japonês no câmbio surtiu efeito por muito pouco tempo. Rapidamente, o iene começou a se valorizar novamente ante o dólar. Segundo ele, mesmo o aumento na alíquota do IOF tem eficácia limitada. "No médio prazo, os investidores encontrariam outras formas de fazer a mesma operação, obtendo o mesmo ganho", explica o diretor da Global Hedging. Além disso, é sempre válido lembrar que os altos juros oferecidos pelo Brasil tornam a arbitragem muito interessante. "O problema seria amenizado se os demais países aumentassem suas taxas de juros, mas isso não deve acontecer tão cedo." De qualquer maneira, ele opina que é importante o Banco Central (BC) prover liquidez ao sistema. "Tanto o excesso quanto a falta de dólares pode causar volatilidade no câmbio, o que não é positivo para ninguém", diz. A agenda do dia trouxe boas notícias aos investidores. O Departamento do Comércio dos Estados Unidos divulgou melhora no gasto e na renda pessoal do americano e os resultados surpreenderam positivamente o mercado. Ainda nos Estados Unidos, o índice de confiança referente a setembro, medido pela Universidade de Michigan, foi revisado para cima, ficando em 68,2. A expectativa era mesmo de que o dado fosse revisado, porém parte dos analistas apostava em uma leitura de 67. Pela manhã, a espanhola Repsol e a chinesa Sinopec anunciaram que acertaram o desenvolvimento conjunto de projetos no Brasil, criando uma companhia do setor de energia com valor de US$ 17,773 bilhões. Pelo acordo, a Repsol Brasil vai fazer um aumento de capital que será completamente subscrito pela Sinopec. Ao fim da transação, a Repsol vai ter 60% da Repsol Brasil e a Sinopec, 40%.

(Karin Sato | Valor)
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