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02/10/2009 - 12h02

DIs recuam, mas sucessão no BC preocupa mercado

SÃO PAULO - Mesmo com a produção industrial confirmando tendência positiva para atividade brasileira, os contratos de juros futuros passaram por ajuste de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011 caía 0,08 ponto, projetando 10,27%. Janeiro de 2012 também recuava 0,08 ponto, a 11,48%. E janeiro de 2013 perdia 0,02 ponto, a 12,02%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em janeiro de 2010 apontava 8,67%, baixa de 0,01 ponto. Julho de 2010 perdia 0,06 ponto, a 9,22%. Na contramão, novembro de 2009 subia 0,02 ponto, a 8,65%.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção avançou 1,2% em agosto sobre julho, marcando o oitavo mês de avanço. Já sobre agosto de 2007, o resultado ainda é negativo em 7,2%. Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, a curva corrige um pouco do exagero de prêmio colocado nos últimos dois dias, quando o mercado foi sacudido por notícias que aumentaram a incerteza quanto à condução da política monetária.

Fora isso, diz o gestor, tal comportamento da curva, hoje, também mostra que alguns agentes estavam posicionados para um dado mais forte de produção industrial, o que não aconteceu e obrigou a reversão de tais posições.

Ampliando a análise para as últimas semanas, Petrassi aponta que a preocupação do mercado não é mais com inflação ou mesmo crescimento. O foco está na troca de comando do Banco Central (BC).

Segundo o analista, o processo está sendo mal conduzido e pouco transparente. " Uma coisa é acompanhar dados de inflação e atividade. Agora, a parte política, saber o que se passa dentro do BC, não tem como. " Ainda de acordo com o gestor, ou o BC esclarece o que vai acontecer ou esse prêmio embutido nos vencimentos seguirá bastante elevado. " Tem que definir logo, esclarecer quem sai e quem fica. Como há incerteza, o mercado fica na defensiva e pede mais prêmio " , explica.

Pelo lado dos fundamentos, Petrassi aponta que faltam indicadores que justifiquem apostas tão consolidas de alta de juros. A inflação segue baixa e as expectativas dentro da meta. " Não tem dado que fale que o juro vai ter que subir. Isso é muito prematuro " , resume.

(Eduardo Campo | Valor)

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