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02/10/2009 - 14h26

Durão Barroso defende estímulos para evitar "recuperação sem emprego"

BRUXELAS - O mundo conseguiu evitar uma "completa deriva financeira" e a repetição dos erros que levaram à Grande Depressão nos anos 30, mas não se pode dizer que a crise passou, num cenário em que desemprego continua em alta, disse hoje o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Para ele, as políticas de estímulo fiscal e monetário em curso no mundo devem ser mantidas, sendo fundamentais para impedir que haja uma "recuperação sem emprego". Esse foi o motivo pelo qual a União Europeia (UE) apoiou a conclusão do G-20, que se reuniu na semana em Pittsburgh, nos EUA, de que essas políticas não devem ser revertidas no momento.

"É muito cedo para tirar os estímulos, ao mesmo tempo em que temos que preparar as estratégias de saída, já que alguns de nossos países estão atingindo níveis insustentáveis de endividamento no médio e no longo prazo", afirmou Durão Barroso, para quem o potencial de crescimento do Brasil pode contribuir de modo decisivo para a retomada da expansão da economia global. "O Brasil tem um potencial de crescimento maior que a Europa", lembrou ele. Países como a China, com grande poupança doméstica e elevados saldos em conta corrente, também devem puxar o avanço do mundo. Isso é importante para que se chegue a uma economia global mais equilibrada. Os EUA, por exemplo, devem ficar por um bom tempo com a demanda mais fraca do que nos anteriores à crise. Durão Barroso lembrou que o próprio presidente Barack Obama disse que o mundo não deve contar os EUA para sustentar a recuperação da economia global. Para Durão Barroso, um ponto importante é que o mundo conseguiu impedir a volta do "protecionismo de alta intensidade". Há a adoção por muitos países de medidas protecionistas de "baixa intensidade", reconhece ele, mas nada similar ao que ocorreu nos anos 30 e que tornou a recessão que se seguiu à crise de 1929 uma grande depressão. Durão Barroso ressaltou o papel do G-20 nesse quadro, lembrando que o grupo emitiu "sinais políticos fortes de confiança" e lançou o processo de reforma do sistema financeiro global. Apesar dessas melhoras, a situação da economia ainda inspira cuidados, segundo ele. "A nossa linha não é de que a crise já passou. É verdade que se evitou talvez uma queda no precipício, que não estamos mais em queda livre, mas não se pode ainda dizer que tenhamos saído dela. Pelo menos na Europa nós dizemos isso", afirmou Durão Barroso. O presidente da Comissão Europeia (o órgão executivo da EU) falou hoje a um grupo de jornalistas brasileiros, que estão em Bruxelas a convite da UE. (Sergio Lamucci | Valor)

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