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02/10/2009 - 20h11

Fundos de emergentes levantam mais de US$ 9 bilhões no trimestre

SÃO PAULO - O apetite por mercados emergentes permaneceu elevado durante a última semana de setembro. As principais categorias acompanhadas pela EPFR Global levantaram US$ 1,43 bilhão na semana encerrada dia 30. Com isso, os fundos de países emergentes encerraram o trimestre apresentado captação líquida superior a US$ 9 bilhões.

A soma é elevada, mas perde importância se for levado em conta que, no segundo trimestre, a quantia captada foi de US$ 26,5 bilhões. Na média semanal do terceiro trimestre, esses veículos atraíram cerca de US$ 740 milhões, contra mais de US$ 2,0 bilhões por semana entre abril e junho.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o grupo apresenta captação líquida de US$ 40,04 bilhões, mais do que recuperando os US$ 32,84 bilhões perdidos em igual período de 2008.

Na última semana de setembro, os Fundos de Ações da América Latina, onde o Brasil é destaque, os aportes somaram apenas US$ 77 milhões, o que eleva a soma captada no trimestre para US$ 1,23 bilhão. De janeiro a setembro, a categoria já levantou US$ 6,12 bilhões, contra uma perda de US$ 4,17 bilhões amargada em igual período de 2008. Com investidores um pouco mais cautelosos com relação à China, o destaque na semana e no trimestre ficou com a categoria Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês). Na semana, o grupo recebeu US$ 999 milhões, completando US$ 4,87 bilhões no terceiro trimestre. Para o ano, o montante chega a US$ 19,2 bilhões. Em igual período de 2008, o saldo era negativo em US$ 11,18 bilhões.

Os Fundos da Ásia (ex-Japão) foram prejudicados pelo feriado do mercado chinês, recebendo apenas US$ 59 milhões na semana encerrada no dia 30. No entanto, isso não fez muita diferença no trimestre. Entre julho e setembro, a categoria levantou apenas US$ 2,8 bilhões, contra mais de US$ 23 bilhões no segundo trimestre de 2009. No ano, o resultado é positivo em US$ 13,97 bilhões, mas ainda deve em comparação com os US$ 15,61 bilhões perdidos entre janeiro e setembro de 2008.

Com destaque para Rússia e Turquia, os Emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) ganharam R$ 299 milhões na semana. Com isso, o saldo acumulado no ano subiu a US$ 742 milhões, o que representa pouco menos da metade do US$ 1,86 bilhão perdido nos nove primeiros meses de 2008. Apesar de o trimestre ter se configurado por maior apetite por risco e melhores perspectivas quanto à economia global, os fundos de ações não foram os veículos preferidos pelos agentes para tirar proveito desse cenário. De acordo com a EPFR Global, os fundos de renda fixa foram o destaque do período, levantando mais de US$ 68 bilhões nos últimos três meses. Só na semana passada, o grupo ganhou mais de US$ 5,78 bilhões. Enquanto isso, todas as carteiras de ações acompanhadas ganharam US$ 21,7 bilhões entre julho e setembro, um terço da categoria concorrente. Na última semana de setembro, esses fundos levantaram US$ 857 milhões.

Mudando o foco para os países desenvolvidos, o destaque trimestral fica com os Fundos de Ações da Europa. Com o dinheiro recebido no período, o saldo negativo acumulado no ano caiu para apenas US$ 730 milhões. Vale lembrar que esses fundos começaram o trimestre devendo US$ 4,5 bilhões. Os Fundos de Ações do Japão sofreram com a adoção de uma postura mais defensiva dos agentes no final de setembro. Nas últimas duas semanas do mês, a categoria perdeu US$ 1,54 bilhão, o que prejudicou o desempenho do trimestre e, consequentemente, no ano. De janeiro a setembro, os saques totalizam US$ 4,24 bilhões. Em igual período do ano passado, a retiradas somaram US$ 5,98 bilhões. Os Fundos de Ações dos Estados Unidos não tiveram um comportamento condizente com os índices de ações do país, que tiveram forte valorização no período. Os agentes seguem preocupados com a demora na recuperação do poder de compra dos americanos. No entanto, o trimestre não pode ser taxado de ruim. Os fundos do país levantaram US$ 2,9 bilhões, depois de perder US$ 2,8 bilhões no segundo trimestre e impressionantes US$ 47,8 bilhões nos três primeiros meses de 2009. No acumulado do ano, a categoria perde US$ 47,72 bilhões, três vezes mais que os US$ 15,66 bilhões sacados de janeiro a setembro de 2008. Entre os fundos setoriais, a semana foi marcada por posições mais defensivas em serviços públicos, telecom e bens de consumo. No entanto esse não foi o tom do trimestre. Entre julho e setembro os segmentos voltados ao crescimento foram destaque: Commodities levantou US$ 3,75 bilhões, Energia recebeu US$ 1,1 bilhão, Imóveis e Construção captou US$ 1,7 bilhão e Tecnologia ganhou US$ 1,31 bilhão. A mesma classificação é válida para o acumulado do ano. Commodities têm saldo líquido de US$ 10,21 bilhões. Energia, US$ 2,92 bilhões; Imóveis e Construção, US$ 2,35 bilhões e Tecnologia, US$ 2,57 bilhões. Perdas no ano para Bens de Consumo (US$ 62 milhões), Finanças (US$ 643 milhões) e Saúde/Biotecnologia (US$ 1,97 bilhão).

(Eduardo Campos | Valor)

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