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02/10/2009 - 07h45

Outubro começou com queda na Bovespa e alta no dólar

SÃO PAULO - Outubro começou com uma realização de lucros no mercado brasileiro. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa, se afastando, novamente, dos 62 mil pontos, e o dólar fechou em alta contra o real. Já no mercado de juros futuros, os agentes seguiram antecipando a possibilidade de alta na taxa Selic.

O tom vendedor do dia foi garantido pelos dados da economia americana, que seguiram alternando entre bons e ruins, o que deve ser visto com naturalidade, já que a economia está em recuperação.

Servindo de desculpa às vendas, os pedidos por seguro-desemprego subiram pela primeira vez em quatro semanas e o índice de atividade na industrial decepcionou em setembro. Pelo lado positivo, o índice que mede o fechamento de contratos de compra de moradias subiu e a renda e o gasto do americano cresceram em agosto.

Por aqui, a Bovespa ainda mostrou força pela manhã, caindo cerca de 0,5% enquanto o Dow Jones perdia mais de 1%. Mas conforme as vendas se acentuaram no mercado externo, os agentes locais também embarcaram em uma correção de preço mais forte.

No final do dia, o Ibovespa apontava baixa de 1,72%, aos 60.459 pontos, com giro financeiro em R$ 5,28 bilhões. As vendas foram generalizadas e os carros-chefe (Petrobras, Vale e siderúrgicas) seguiram o preço das commodities.

Em Wall Street, a queda foi mais acentuada. O Dow Jones caiu 2,09%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq perderam 2,58% e 3,06%, maiores perdas diárias em quase três meses.

Tal comportamento dos índices de ações reforça o alerta dado por analistas e operadores no final de setembro, de que gestores de fundos defendiam posições para melhor rentabilizar as cotas no fechamento de trimestre.

Para o restante do mês, o conselho dos analistas é atenção aos dados americanos, balanços trimestrais e declarações de bancos centrais sobre a retirada de medidas de estímulo. Cabe lembrar, também, que o Ibovespa já bateu a meta do ano, estipulada na casa dos 60 mil pontos e, agora, o mercado busca razões para seguir comprando ou garantir os ganhos já acumulados no ano.

No câmbio, o dólar chegou a perder valor pela manhã, mas os agentes aproveitaram o dia de maior aversão ao risco para remontar posições. Com isso, ao final da jornada, o dólar comercial marcava alta de 0,90%, negociado a R$ 1,786 na compra e R$ 1,788 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa ganhou 0,79%, para fechar a R$ 1,786. O volume na bolsa somou apenas US$ 70 milhões, três vezes menor que observado na sessão anterior.. No interbancário os negócios também caíram, de US$ 3 bilhões, para cerca de US$ 1,3 bilhão.

Segundo o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, se esse movimento generalizado de correção no preço dos ativos de risco continuar, o dólar pode retomar a linha de R$ 1,80.

No entanto, Puccinelli acredita que essa valorização é meramente pontual, pois não o dólar não encontra grande sustentação fora do intervalo de R$ 1,75 a R$ 1,77. Ainda de acordo com o gerente, o assunto mais discutido nas mesas de operações é a entrada do dinheiro para a oferta de ações do Santander. Vale lembrar que a operação pode passar de R$ 15 bilhões e que, caso o estrangeiro mantenha a participação registrada e outras ofertas, pelo menos 60% desse montante vêm de fora do país.

No mercado de juros futuros, o pregão foi bastante movimentado e as taxas, mesmo com os outros mercados acenando menor otimismo com atividade econômico, voltaram a fazer novas máximas para os últimos quatro meses.

Pela manhã, a curva ganhou uma clara divisão, com os agentes apostando ainda mais na antecipação do aperto monetário, o que tornou o vencimento janeiro de 2011 um ponto de inflexão. Até essa data, os contratos subiam e depois apontavam para baixo. Mas no decorrer da tarde, a curva passou a apresentar um comportamento mais uniforme.

Segundo o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o mercado está desorientado quanto ao rumo da política monetária e, até haver uma definição mais clara, os vencimentos vão embutir prêmio de risco. " Na dúvida, o mercado pede mais prêmio, pois quem pagar para ver perde dinheiro. " Na avaliação de Agostini, a conjuntura atual ainda aponta para a maior possibilidade de alta de juros em meados do ano que vem. O problema é que se todo o mercado começa a migrar para um cenário mais otimista, o Banco Central tem que tentar antecipar esse movimento para inibir qualquer pressão altista na inflação. " É papel do Banco Central agir de forma preventiva. " Ao final do pregão na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,09 ponto percentual, a 10,35%. O vencimento para janeiro de 2012 subiu 0,05 ponto, a 11,53%. Mas janeiro de 2013 projetava 12,03%, desvalorização de 0,01 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 ganhou 0,02 ponto, para 8,68%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, ganhou 0,05 ponto, projetando 9,25%. E novembro de 2009 perdeu 0,01 ponto, marcando 8,63%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 713.200 contratos, equivalentes a R$ 64,19 bilhões (US$ 36,10 bilhões), alta de 63% sobre o registrado na quarta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 279.480 contratos, equivalentes a R$ 24,73 bilhões (US$ 13,90 bilhões). (Eduardo Campos | Valor)

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