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02/10/2009 - 10h06

Suecos e franceses reforçam lobby por aviões

BRASÍLIA - Na véspera do fim do prazo para a entrega de propostas ao governo brasileiro para a compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira, França e Suécia reforçaram o lobby pela venda de seus aviões no Congresso. Representantes dos governos sueco e francês, além de dirigentes da Saab e Dassault, passaram o dia de ontem em audiências com senadores. O Congresso terá de aprovar o financiamento para a compra das aeronaves. Em debate na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o almirante Edouard Guillaud, chefe do Estado Maior particular do presidente da França, Nicolas Sarkozy, acenou politicamente ao governo brasileiro: " Daqui a alguns anos, se depender da França, o Brasil será membro permanente do Conselho de Segurança da ONU " , disse aos senadores. Tanto a sueca Saab quanto a francesa Dassault prometeram a transferência total e irrestrita de tecnologia ao Brasil. O presidente mundial da Saab, Ake Svensson, ofereceu o desenvolvimento conjunto de tecnologia se o governo brasileiro comprar o Gripen NG. O preço dos caças suecos e os gastos com a manutenção são mais baixos do que os oferecidos pela concorrente francesa.

O presidente da Saab explicou que a redução do custo se deve ao fato de o caça ter apenas um motor. A Suécia formaliza hoje a proposta de venda ao governo brasileiro de venda. Representantes suecos disseram que o Brasil poderá comprar o dobro de jatos pelo preço de um, oferecido pelos concorrentes. O motor do avião fabricado pela empresa sueca, no entanto, é de origem americana, da General Eletric. Esse foi um dos pontos de crítica de Guillaud, ao defender os caças franceses Rafale. O vice-presidente da Dassault, Eric Trapier, disse que a empresa pretende desenvolver parcerias no Brasil no setor eletrônico e de turbinas.

Guillaud criticou o fato de o modelo oferecido pela Saab " ainda não estar pronto " , de ser por enquanto um protótipo, e disse que a França oferece aos brasileiros uma aeronave que já está na ativa, sem riscos de " surpresas " futuras. " Falo de aeronaves que voam em combate, não aeronaves que voarão daqui a oito ou dez anos apenas " , afirmou aos senadores.

" Outras aeronaves ainda estão numa versão que eu qualifico de versão de papel, muito teórica. Temos os Rafale atuando no Afeganistão, usando armamentos com capacidades militares comprovadas, verificáveis e garantidas pelo governo francês " , afirmou o representante francês. As duas empresas já registraram acidentes com seus aviões. Recentemente, dois caças Rafale caíram no mar. No caso da empresa sueca, foram três acidentes com modelos antigos do Gripen, em uso pelas forças de defesa da Suécia. O governo deve receber até hoje as propostas das empresas. Participa da disputa também a americana Boeing. O prazo para entrega das propostas foi adiado de 21 de setembro para hoje. (Cristiane Agostine | Valor)

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