UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

05/10/2009 - 19h25

Alimentos básicos podem sofrer pressão de preços nos próximos meses

RIO - As famílias de baixa renda poderão enfrentar nos próximos meses pressões nos preços de produtos importantes para a cesta de consumo, como feijão, arroz e carne bovina. A desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que atingiu 0,02% em setembro, contra 0,20% no mês anterior, foi impulsionada pelos alimentos in natura, enquanto o restante dos alimentos mostra uma tendência de aceleração.

Em setembro, as hortaliças e legumes, que haviam subido 1,87% em agosto, caíram 1,04%, enquanto as frutas desaceleraram de uma alta de 9,08% em agosto para um avanço de 4,97% no mês passado. Retirados os in natura do IPC-C1 - calculado com base nas despesas de consumo das famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos mensais - o índice teria caído 0,16% em agosto e registrado queda de 0,09% no mês passado.

A tendência de aceleração depois de expurgados os alimentos in natura também é observada no grupo alimentação, que teria registrado deflação de 1,03% em agosto e baixa de 0,89% em setembro. Com os in natura, as variações passaram para leve alta 0,01% em agosto e baixa de 0,47% em setembro.

"Isso mostra uma tendência de aceleração no varejo para as famílias de baixa renda, mas é um movimento que pode não ser sustentável por tanto tempo", disse André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Entre os principais componentes da cesta básica de consumo das famílias de rendas mais baixas, o arroz e o feijão caíram 3,16% em setembro, depois de um recuo de 2,68% em agosto, mas Braz ressaltou que já há sinais de possíveis altas ainda não captadas pelo índice. Segundo ele, a alta demanda poderá ter impactos sobre os preços do arroz, enquanto as chuvas fortes poderão atrasar a próxima safra de feijão.

Já as carnes bovinas, que caíram 1,38% em setembro, depois de uma alta de 0,28% em agosto, tendem a uma certa elevação no final do ano, fruto do aumento da demanda. Juntos, carne bovina, arroz e feijão respondem por 6,41% do IPC-C1.

(Rafael Rosas | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host