UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

05/10/2009 - 12h05

Dólar segue em baixa e está cotado a R$ 1,680

SÃO PAULO - O dólar segue registrando queda neste pregão. Este é um indicativo de que, talvez, nem mesmo no curto prazo, o aumento na alíquota de 2% para 4% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as aplicações de estrangeiros em renda fixa impeça a valorização do real. O reajuste, anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, surpreendeu o mercado. "Esperávamos uma ação do governo somente após o segundo turno das eleições presidenciais", ressalta o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues. A medida entrou em vigor já nesta terça-feira. Por conta da notícia, o dólar comercial iniciou a sessão no território positivo. Porém, por volta das 12h20, registrava depreciação de 0,70%, cotado a R$ 1,678 compra e a R$ 1,680 na venda. Na máxima, foi a R$ 1,701, e, na mínima, a R$ 1,679. Vale lembrar que, há pouco, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F declinava 1,14%, a R$ 1,688.

Rodrigues explica que, apesar de praticamente zerar o ganho de capital dos investidores em renda fixa, a medida tem um "efeito ainda muito pequeno" sobre o câmbio. Isso porque grande parte do fluxo de recursos está atrelada à bolsa de valores. Quando impôs a alíquota de 2% do IOF há cerca de um ano, o governo tinha englobado todo o mercado de capitais - e não apenas o investimento em renda fixa. Para obter resultados práticos, o governo poderia ter optado por uma alíquota de IOF superior a 4% e que incidisse sobre todo o mercado de capitais, opina Rodrigues. Porém, segundo ele, "no mundo atual, um aumento muito substancial no IOF para investimento estrangeiro seria um crime". "Seria uma medida protecionista, que pegaria muito mal para o Brasil. Se o governo bate no peito e diz que o Brasil está aberto para o mundo, não pode fazer isso", avalia. Agora, o mercado analisa se novas medidas podem ser adotadas, quais seriam elas e quando isso ocorreria. Entre as possibilidades, estão uma nova mudança no IOF, a realização do leilão de swap cambial reverso, que, na prática, significa a compra de dólares no mercado futuro, e o uso do Fundo Soberano para comprar dólares. Qualquer uma dessas medidas tem efeito limitado, na avaliação dos analistas. Para o diretor de câmbio do Banco Paulista, agora o governo só vai agir depois das eleições. "Se a Dilma Rousseff (candidata do PT à Presidência da República) tivesse vencido no primeiro turno, o governo teria adotado uma medida mais drástica para impedir a valorização do real. Como haverá segundo turno, ele preferiu anunciar uma medida mais leve", diz Rodrigues. Porém, ao fazer isso, Mantega e sua equipe indicam que, lá na frente, o mercado pode esperar novas ações. É sempre válido lembrar que a queda no preço do dólar e a valorização das commodities é um fenômeno mundial. Não é só o real que está subindo ante a moeda americana. Também tem influenciado o mercado de câmbio interno a falta de credibilidade da economia dos Estados Unidos, que pouco reage aos estímulos governamentais, ao mesmo tempo que o déficit público aumenta e causa preocupação. Já a Europa, apesar de ainda sofrer as sequelas da crise mundial, mostra mais reação às medidas adotadas pelos governos. Hoje o euro tem acentuada alta de quase 1% ante o dólar, cotado a US$ 1,3813. "O mercado esperava que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) anunciasse alguma medida para estimular a economia, na última reunião. Os agentes esperavam alguma atitude. Mas isso não aconteceu e a autoridade monetária decepcionou", explica Rodrigues.

Entre as notícias do dia, os investidores repercutem o corte na taxa de juro do Japão para uma faixa de 0% a 0,1%. O Banco do Japão (BOJ) justificou a decisão mencionando preocupações com o ritmo de recuperação da economia.

Já a agência de classificação de crédito Moody´s alertou que pode novamente reduzir o rating da Irlanda em razão da grande conta para sanear os bancos do país, da fraca recuperação da economia e dos custos maiores dos empréstimos. Em julho, a Moody´s rebaixou a nota soberana da Irlanda de Aa1 para Aa2. Agora, existe a chance de o rating ir para Aa3.

Por fim, o setor de serviços dos Estados Unidos registrou crescimento pelo novo mês consecutivo, informou segundo o Institute for Supply Management (ISM). O indicador referente ao comportamento da atividade marcou 53,2 em setembro, uma alta de 1,7 ponto na comparação com agosto (51,5). Qualquer leitura acima de 50 significa expansão.

Em Wall Street, os investidores repercutiam essas notícias e os índices Dow Jones e S&P 500 tinham, há pouco, avanço de mais de 1%.

Já as commodities estavam em alta. Instantes atrás, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, tinha um ganho de 0,64%. (Karin Sato | Valor)
Hospedagem: UOL Host