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05/10/2009 - 10h18

Dólar muda de direção e registra queda, mesmo com IOF mais alto

SÃO PAULO - O governo surpreendeu os investidores ontem, ao anunciar o reajuste na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as aplicações de estrangeiros no mercado de renda fixa e de fundos. A alíquota de 2% passou para 4%.
Os analistas já aguardavam uma alta no IOF, porém acreditavam que a medida seria adotada somente após o segundo turno das eleições presidenciais, por conta do risco político envolvido.

Agora, o mercado quer saber: 4% é suficiente? Parte dos especialistas em câmbio esperava um percentual maior, já que o objetivo do governo é conter a apreciação do real, diante de uma taxa Selic de 10,75% ao ano, uma das maiores do mundo.

A julgar pelo movimento do mercado de câmbio nesta manhã de terça-feira, a resposta para essa pergunta é não. Depois de abrir a sessão em alta, o dólar começou a cair. Há pouco, a moeda americana tinha queda de 0,11%, cotada a R$ 1,688 na compra e a R$ 1,690 na venda.

No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F declinava 0,52%, a R$ 1,698.

Restam ainda outras dúvidas: qual será o próximo passo do governo para evitar o declínio do dólar? No médio prazo, é possível evitar a alta do real, levando em conta os altos juros brasileiros e a queda do dólar em todo o mundo?
Enquanto o Brasil tem uma taxa básica de juro de 10,75% ao ano, países que ainda lutam para se recuperar da crise, como os Estados Unidos, estão trabalhando com juros baixíssimos. Por isso, a perspectiva é de que os recursos estrangeiros continuem entrando no país.
É válido citar que, nesta terça-feira, o Banco do Japão (BOJ) cortou a taxa de juro para uma faixa de 0% a 0,1%, mencionando preocupações com o ritmo de recuperação da economia.

"Levando em conta que existe pouco espaço para futuros declínios na taxa de juro de curto prazo, o BC vai incentivar a queda na taxa de juro de prazo mais longo e de vários prêmios de risco para ampliar o abrandamento da política monetária", disse a autoridade monetária.

No mercado de câmbio externo, o euro registra acentuada valorização de 0,91% ante o dólar, cotado a US$ 1,3802.
(Karin Sato | Valor)
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