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06/10/2009 - 18h23

Bovespa não garante os 63 mil pontos, mas tem nova máxima para 2009

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) superou uma tentativa de realização de lucros no período da tarde e fechou a terça-feira em terreno positivo, garantindo, assim, nova máxima para 2009. O Ibovespa acumulou alta de 0,48%, aos 62.670 pontos, com giro financeiro de R$ 6,57 bilhões. Na máxima do dia, o índice testou os 63.291 pontos, mas não defendeu tal patamar.

A pontuação registrada hoje supera os 62.369 pontos de ontem é a maior desde os 63.396 pontos de 1º de julho de 2008. Dessa forma, o ganho acumulado pelo Ibovespa em 2009 vai a 66,9%. Segundo o analista-chefe da XP Investimentos, Rossano Oltramari, tal comportamento da Bovespa demonstra com muita clareza que tem dinheiro novo no mercado, tem apetite para comprar risco. "E acreditamos que tem espaço para mais." De acordo com o especialista, o cenário continua sendo de grande liquidez mundial em meio ao momento de recuperação da econômica. A tese de Rossano é que o grande investidor vendeu seus ativos de risco na crise e comprou dólar e títulos americanos. Agora, está ávido pela rentabilidade, pois os títulos têm rendimento real negativo e o dólar perde força no mundo todo. "Ele vem aos mercados emergentes, onde essa rentabilidade é oferecida." Um sinal disso, segundo o especialista, é o saldo de investimento estrangeiro, que fechou setembro em R$ 4,03 bilhões, elevando o montante acumulado em 2009 para cima dos R$ 18 bilhões. Dando sustentação aos ganhos de hoje, as commodities também subiram forte no mercado externo. O petróleo ganhou valor, assim com a prata o ouro e outros metais. "Ninguém quer ficar vendido e só tem notícia boa. A bolsa não cai", resume. No front corporativo, os carros-chefe garantiram os ganhos do dia. Petrobras PN registrou alta de 0,11%, fechando a R$ 34,49, enquanto Vale PNA aumentou 0,18%, a R$ 37,21.

Entre as siderúrgicas, Gerdau PN continuou subindo. O papel ganhou 2,01%, para fechar a R$ 25,30, maior preço desde setembro do ano passado. Também entre os mais negociados, Redecard ON cedeu 2,85%, a R$ 29,50.

No lado oposto, os bancos perderam força depois de forte valorização nos últimos pregões. Como terceiro maior volume do dia, Itaú Unibanco PN caiu 1,36%, a R$ 36,20, e Bradesco PN recuou 1,47%, a R$ 36,11. Banco do Brasil ON caiu 1,29%, a R$ 30,45, depois de subir a R$ 31,50. A estatal fará uma reestruturação de sua área de seguros e anunciou parceiras e negócios com Mapfre e Sul América.

O setor está no foco dos agentes internos e externos, já que ainda hoje deve ser conhecido o preço de emissão das units (recibo de ações) do Santander. A faixa estimativa está entre R$ 22 a R$ 25. Considerando o teto da estimativa, o banco levantará R$ 13,125 bilhões na oferta inicial. No caso da colocação dos lotes suplementar e adicional, o montante chega a R$ 15,625 bilhões, o que lhe rende o título de maior oferta do mundo em 2009. As units começam a ser negociadas amanhã, sob o código SANB11.

Liderando os ganhos dentro do índice, Duratex PN saltou 8,64%, para R$ 31,29, Braskem PNA avançou 5,28%, para R$ 11,96, e MMX Mineração ON ganhou 4,01%, para R$ 12,17. Ganhos superiores a 3% para Lojas Renner ON, Cyrela ON e BRF Foods ON. Na ponta de venda, JBS ON caiu 2,04%, para R$ 9,60, depois de subir a R$ 10,14 pela manhã. Cesp PNB devolveu 1,33%, a R$ 22,20, Gol PN caiu 1,25%, a R$ 18,15, e VCP ON teve baixa de 1,09%, negociada a R$ 28,90.

Em Wall Street, os agentes recobraram confiança na retomada da economia e seguiram comprando pelo segundo pregão seguido. O Dow Jones fechou em alta de 1,37%, aos 9.731 pontos. O S & P 500 avançou 1,37%, para 1.054 pontos. Já o Nasdaq ganhou 1,71%, a 2.103 pontos.

(Eduardo Campos | Valor)

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