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06/10/2009 - 18h36

Para FGV, alta da inflação não é generalizada

RIO - O avanço do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que em setembro atingiu 0,25%, o maior patamar desde os 1,09% de outubro do ano passado, indica que o período de deflação chegou ao fim, estimulado pela recuperação das economias global e brasileira, mas não significa uma pressão generalizada de preços.

Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), considerou o avanço do IGP-DI em setembro um desdobramento do reaquecimento da economia brasileira, sincronizado com a retomada do crescimento global, com efeitos sobre os produtos industriais.

A maior parte do impulso de alta foi dada pelos preços do atacado, uma vez que o Índice de Preços do Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP-DI, passou de 0,07% em agosto para 0,29% em setembro. A alta, no entanto, ficou concentrada nos alimentos processados, que passaram de deflação de 0,58% em agosto para alta de 2,52% no mês passado.

Quadros destacou que, dentro dos processados, o açúcar contribuiu com dois terços da aceleração entre agosto e setembro. O açúcar cristal subiu 19,04% no mês passado, depois de uma alta de 5,62% em agosto, enquanto o açúcar refinado avançou 16,38% em setembro, depois de avançar 1,52% em agosto. Outro destaque de alta foi a carne bovina, que subiu 3,50% em setembro, depois de recuar 0,82% no mês anterior.

"O aumento não é generalizado. Está em produtos relacionados ao mercado externo", ressaltou Quadros, lembrando que, no caso do açúcar, a alta está relacionada à quebra de safra na Índia, agravada pelas chuvas que atrasaram a colheita no Brasil.

Dentro dos bens intermediários, o óleo de soja em bruto cresceu 1,11% em setembro, depois de cair 3,27% no mês anterior. Já a celulose passou de uma deflação de 1,87% em agosto para um crescimento de 5,56% em setembro.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-DI, desacelerou para 0,18% em setembro, contra 0,20% no mês anterior. A perda de ritmo foi influenciada pela alimentação, que passou de alta de 0,40% para recuo de 0,11%. Entre os destaques de desaceleração, os laticínios passaram de deflação de 3,60% em agosto para queda de 5% em setembro; as hortaliças e legumes ficaram com alta 0,74% no mês passado, depois de um avanço de 3,35% em agosto; e as frutas, que haviam subido 7,64% em agosto, avançaram apenas 4,92% no mês passado.

Para Quadros, por ser localizada, a aceleração do IGP-DI em setembro não justifica um aperto monetário nos próximos meses.

"A preocupação com a inflação é legítima, mas o que deve fazer os juros subirem é um aquecimento que ainda não aconteceu. Vemos a saída da recessão, então é natural que os preços comecem a se recompor", afirmou Quadros.

(Rafael Rosas | Valor)

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