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07/10/2009 - 15h50

DIs fecham em baixa após divulgação do IPCA

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerram a quinta-feira com viés de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Na agenda do dia, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro mostrou alta de 0,45%, bem acima do 0,04% do mês passado, mas resultado abaixo do esperado e também menor do que as coletas de preço sugeriam. Em 12 meses, o IPCA voltou a acelerar, passando de 4,49% para 4,70%. Já no ano, a inflação acumulada é de 3,60%.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, mais líquido do dia, apontava baixa de 0,05 ponto, a 11,39%. Janeiro de 2013 mostrava desvalorização de 0,04 ponto, a 11,77%, e janeiro de 2014 também perdia 0,04 ponto, a 11,70%.

Entre os curtos, novembro de 2010 cedeu 0,01 ponto, a 10,63%. E janeiro de 2011 também perdeu 0,01 ponto, a 10,65%.

Até as 16h10, foram negociados 643.985 contratos, equivalentes a R$ 52,90 bilhões (US$ 31,57 bilhões), alta de 32% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 269.125 contratos, equivalentes a R$ 23,56 bilhões (US$ 14,06 bilhões). Conforme o esperado, o grupo alimentação respondeu por grande parte da inflação ao apresentar alta de 1,08%, revertendo deflação de 0,24%. E a expectativa é de que o preço dos alimentos continuem pressionados por mais algum tempo. Mas conforme notou o sócio da Platina Investimentos, Marco Franklin, a notícia de ruim de 2010 (alta nos preços agrícolas), pode ser a notícia boa de 2011. O especialista cita um ditado comum no campo: "O melhor adubo para qualquer lavora é o preço." Então, diz Franklin, os preços altos de hoje vão significar, dentro do clico natural da agricultura, uma oferta maior, que fará com que os preços tendam a cair. "Essa inflação mais alta por causa de alimentos em 2010, deverá significa uma inflação mais baixa em 2011 e, principalmente, em 2012." Para a safra de grãos é esperado um aumento de plantio. E para as carnes, outra fonte de pressão de alta, Franklin avalia que tudo de ruim que poderia acontecer já aconteceu, como prejuízos com gado confiando e estiagem. "A tendência, agora, é de normalização na oferta de carne." Analisando agora as commodities agrícolas em âmbito mundial, o especialista reconhece que a relação oferta/demanda está muito apertada, o que justifica alta de preços frente a qualquer surpresa para qualquer lado da equação.

No entanto, diz Franklin, há um "prêmio" não desprezível nos preços atuais que é fruto dos fundos de investimento, que estão fugindo do dólar e correndo para as matérias-primas. A questão é que os preços já estão muito esticados e esses fundos devem realizar lucros, puxando os preços para baixo. O ponto a ser observado em toda essa análise é que os ciclos quando se trata de commodities agrícolas são mais longos, entre seis e 12 meses. Passando para o mercado local, Franklin avalia que tal comportamento da inflação não muda a visão sobre a estabilidade da taxa básica de juros brasileira em 10,75% por um longo período de tempo. "Esse juro fica parado até onde a vista alcança." Na gestão da dívida pública, o tesouro vendeu todas as 7,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) que ofertou, captando R$ 6,09 bilhões. Ainda foram colocadas 1,5 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), a R$ 6,59 bilhões. E 1,65 milhão de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 1,57 bilhão. (Eduardo Campos | Valor)
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