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07/10/2009 - 18h27

Bovespa fecha sem alteração; Santander cai e GVT dispara

SÃO PAULO - A quarta-feira foi marcada por forte instabilidade na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas no final do dia nem compradores nem vendedores ganharam a briga. O Ibovespa fechou praticamente estável, com leve baixa de 0,05%, aos 62.638 pontos. O giro ficou em R$ 8,89 bilhões, o maior desde 2 de maio de 2008 para dias sem vencimento de opções e índice futuro.

O destaque do pregão de ponta a ponta ficou com as units (recibos de ação) do estreante Santander. A oferta, que ganhou o título de maior do mundo em 2009 por movimentar R$ 14,1 bilhões, acabou decepcionando no primeiro dia de negócios. O papel caiu 3,74%, para R$ 22,62, fechando na mínima do dia. O ativo, que foi lançado a R$ 23,50, bateu R$ 23,64 na máxima. A quantidade de negócios somou R$ 1,93 bilhão.

Segundo operador de mercado que prefere não se identificar, a oferta foi um sucesso, já que o banco levantou uma montanha de dinheiro. O que decepcionou mesmo foi o desempenho do primeiro dia, que acabou contaminando todo o setor financeiro na Bovespa.

Ainda sobre a oferta, o operador conta uma curiosidade. Alguns clientes e funcionários do Santander teriam feito pedidos de reserva bem acima do que realmente desejavam comprar, tentando se proteger de uma eventual taxa de rateio. Acontece que clientes e funcionários tiveram seus pedidos atendidos integralmente, ou seja, os que pediram a mais terão de honrar a conta que vence dia 13 de outubro.

De volta à Bovespa e ao setor financeiro, Itaú Unibanco PN perdeu 3,17%, para R$ 35,05, Bradesco PN caiu 3,98%, a R$ 34,67, e Banco do Brasil PN desvalorizou 2,46%, a R$ 29,70. Segundo o operador, o que deu sustentação ao índice foram as ações PNA da Vale, que subiram 2,09%, encerrando a R$ 37,99. O papel ganhou recomendação de compra do Goldman Sachs. Variação positiva, também, para Petrobras PN, que subiu 0,49%, a R$ 34,66. Ainda na ponta de compra, Tim Part ON ganhou 5,51%, a R$ 6,50. E entre as siderúrgicas, Gerdau PN garantiu alta de 0,59%, a R$ 25,45, e Usiminas PNA subiu 1,49%, a R$ 47,50.

Ampliando a análise, o especialista lembra que já faz tempo que se fala que a Bovespa subiu demais e que uma correção mais forte é necessária. " Mas acontece que o mundo continua com excesso de liquidez. Por isso, as bolsas e commodities continuam ganhando valor " , resume.

Segundo o especialista, os investidores embolsam ganhos, mas como a bolsa não cai, voltam a comprar, mesmo que pagando um pouco mais caro. " O dinheiro queima na mão, ainda mais com um rendimento tão baixo na renda fixa. " Uma correção forte só acontecerá quanto os agentes enxergarem sinais de que esse excesso de dinheiro utilizado para combater a crise começará a ser enxugado pelos bancos centrais via aumento de juros. " Enquanto isso não acontecer, o mercado permanece nessa inércia de alta. " De volta ao front corporativo, os papéis ON da GVT saltaram 13,74%, a R$ 46,52. Mais impressionante que a alta é o volume negociado, de R$ 741 milhões, menor apenas que o do Santander. O comportamento do papel refletiu a oferta de compra feita pela Telefônica, que se dispôs a pagar R$ 6,5 bilhões por 100% das ações da companhia, o equivalente a R$ 48 por ação. Vale lembrar que mês passado a empresa já tinha recebido uma oferta da francesa Vivendi, a R$ 42 por papel.

Também fora do Ibovespa, a ação ON da OGX Petróleo ganhou 3,58%, a R$ 1.575, movimentando mais de R$ 370 milhões. A empresa anunciou nova descoberta de óleo, agora na Bacia de Campos, o que ajuda a reduzir seu risco operacional. Semana passada, a OGX encontrou indícios de óleo em um poço na Bacia de Santos.

(Eduardo Campos | Valor)

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