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07/10/2009 - 17h56

Com GVT, Telefônica barra novo concorrente e acirra disputa com a Oi

SÃO PAULO - Barrar a entrada de um grande grupo de telecomunicações no mercado brasileiro e ganhar corpo na concorrência com a Oi foram, na opinião de analistas, as principais motivações que levaram a Telefônica a cobrir a proposta da francesa Vivendi pela operadora GVT. Caso tenha sua proposta aceita pelos controladores da GVT, a Telefônica, enfim, poderá começar a operar fora do Estado de São Paulo e acirrar a concorrência com a Oi. O quadro, no entanto, ainda não está definido. Na avaliação do analista do Yankee Group, Júlio Püschel, a oferta da Telefônica, de R$ 48 por ação da GVT, ainda não pode ser considerada " matadora " . Ele acredita que a Vivendi ainda poderá aumentar o preço ofertado no início do mês passado, de R$ 42 por ação. Se considerado que a transação abrangerá 100% da GVT, a proposta da Telefônica chega a R$ 6,5 bilhões, contra R$ 5,4 bilhões dos franceses. O analista, contudo, acredita que a Vivendi pode seguir na briga, por ser uma empresa proporcionalmente mais enxuta que a Telefônica. Além disso, uma possível incorporação da GVT pela Telefônica - com seu consequente " desaparecimento " como empresa - poderia inclinar os controladores a " influenciar " uma nova proposta francesa, já que a Vivendi daria continuidade ao projeto realizado até agora. " Mas é óbvio que eles (os controladores) são capitalistas, vão escolher o melhor preço " , ponderou Püschel. Desde que realizou a abertura de seu capital, em 2007, a GVT é considerada por analistas como uma presa interessante para a Telefônica. Inicialmente com operações concentradas na região Sul do país, a GVT vem acelerando os investimentos em expansão de sua rede de fibra óptica e na oferta de serviços de voz e internet banda larga. Hoje, já atua em estados como Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo.

Diante de tal plano de expansão, a Telefônica tem na aquisição da GVT uma boa oportunidade de expandir sua presença fora de São Paulo sem ter de começar a investir do zero na construção de uma nova rede. Apesar do interesse, no entanto, a operadora espanhola ainda não havia feito qualquer proposta pela GVT, mas teve de se mexer ao perceber o interesse da Vivendi, segundo lembrou o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude. Na avaliação de Püschel o preço ofertado pela Telefônica reflete exatamente o potencial de expansão da rede da GVT e não seu porte atual ou o tamanho de sua base de clientes, ainda discretos quando comparados aos das grandes companhias do setor.

Assim como fez a Vivendi, a Telefônica estabeleceu como condições para fechar o negócio adquirir pelo menos 51% dos papéis, e a dispensa do cumprimento do artigo do estatuto da GVT que desincentiva ofertas de aquisição. Esse tipo de dispositivo é chamado de poison pill (pílula de veneno) no jargão do mercado. O negócio também está sujeito à aprovação da Anatel. (Murillo Camarotto | Valor)

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