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09/10/2009 - 16h22

DIs testam novas máximas em cinco meses

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerram a semana fazendo novas máximas para os últimos cinco meses. Nem melhores dados de inflação levaram os agentes a rever a perspectiva de antecipação de alta de juros pelo Banco Central.

Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,05 ponto percentual, a 10,45%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,04 ponto, a 11,48%. E janeiro de 2013 projetava 11,97%, avanço de 0,09 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 ganhou 0,01 ponto, marcando 8,70%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, avançou 0,06 ponto, projetando 9,39%. E novembro de 2009 não foi negociado.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 493.175 contratos, equivalentes a R$ 44,85 bilhões (US$ 25,76 bilhões), queda de 41% sobre o registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 140.435 contratos, equivalentes a R$ 12,43 bilhões (US$ 7,14 bilhões).

Segundo o vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, as curvas não perdem inclinação porque a agenda do mundo é de elevação de juros. No front externo, crescem os comentários de que o Brasil e Coreia do Sul serão os próximos países a subir a taxa básica. " O prêmio de risco parece exagerado, mas dado o ambiente, ele vai continuar elevado " , resume.

Pelo lado doméstico, Folchini aponta que o humor entre os economistas está mudando. A cada dia que passa, as expectativas quanto ao tamanho do aperto monetário que poderá ser implementado são revisadas para cima. O tesoureiro lembra que até dois meses atrás o discurso era de que "talvez" houvesse uma alta na Selic no segundo semestre. Agora, o aperto já é dado como certo, as apostas se anteciparam e a amplitude do aperto aumentou.

Segundo o especialista, o próximo boletim Focus já pode trazer novo aumento na projeção de inflação e taxa de juros em 2010. " Vai chegar um momento em que o BC vai ter de agir para conter as expectativas " , explica.

Na visão de Folchini, o início do aperto monetário será dado pelo comportamento das expectativas e da atividade econômica. Já o tamanho do ciclo depende de uma série de variáveis, entre elas o início da alta, o comportamento da inflação e o ajuste de juros em outros países do mundo, como Estados Unidos.

Na agenda doméstica, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) apontou alta de 0,10% na primeira medição do mês. Acabou bem abaixo das previsões, que se concentravam em alta de 0,25%. A surpresa positiva veio com os preços no atacado, que reverteram tendência de elevação.

Inflação civilizada, também, pela medição da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação ao consumidor na cidade de São Paulo, desacelerou de 0,47% na medição inicial de setembro para 0,12% na primeira leitura de outubro. No fim do mês passado, o IPC aumentou 0,16%.

(Eduardo Campos | Valor)

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