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14/10/2009 - 17h24

" Síndrome da queda " puxa dólar a R$ 1,703, menor preço do ano

SÃO PAULO - O apetite por risco não diminui e os agentes seguem vendendo dólares no mundo todo, enquanto compram ações e commodities. Por aqui, a divisa americana caiu pelo quarto dia seguido, ameaçando romper a linha de R$ 1,70.

Em forte baixa desde o começo dos negócios, o dólar comercial encerrou o dia a R$ 1,701 na compra e R$ 1,703 na venda, queda de 1,38%. O preço é o menor desde 3 de setembro de 2008, quando o dólar valia R$ 1,677. No mês, o dólar já perdeu 3,89% e, no ano, a baixa vai a 27%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar perdeu 1,48%, para fechar a R$ 1,7025. O volume negociado avançou 11%, para US$ 244 milhões. Já no interbancário os negócios somaram US$ 2,1 bilhões.

Para o diretor da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, o mercado sofre da " síndrome da queda " , ou seja, trabalha com a convicção de que o dólar vai cair, utilizando como justificativa um fluxo positivo de recursos que efetivamente não existe. " O Banco Central compra todo o excedente de dólar. Então o preço não deveria cair " , diz Nehme.

Os dados do fluxo parcial de outubro ilustram bem essa questão. Na semana encerrada dia 9, a sobra de dólares no mercado interno ficou em US$ 2,3 bilhões. Mas no mesmo período, a autoridade monetária comprou US$ 5,32 bilhões com seus leilões no mercado à vista. Apenas na quinta-feira, dia 8, foram, US$ 4,64 bilhões, soma atribuída à entrada de recursos externos que teria como destino a oferta de ações do Santander.

Com isso, o saldo líquido para o mercado na semana foi negativo em US$ 3,02 bilhões, o que é incompatível com uma queda de 2,31% registrada pela moeda americana no período.

O " gato " , segundo Nehme, está na própria forma de atuação do BC, que compra dólares além do fluxo positivo. Com isso, a autoridade monetária acaba estimulando a especulação no mercado à vista, onde os bancos carregam posições vendidas (contra o dólar) de cerca de US$ 5 bilhões.

Ainda de acordo com o diretor, essa posição vendida não tem hedge (proteção) no mercado futuro, pois não há liquidez no atual nível de taxa. Então, a estratégia é alardear que o preço da moeda americana vai continuar caindo e, dessa forma, garantir a rentabilidade nas posições vendidas.

" O BC precisa parar de comprar além do excedente e dos bancos que já estão vendidos. Ele também pode limitar essas posições contra a moeda americana. Tem uma porção de instrumentos que pode usar " , diz Nehme.

O que a autoridade monetária não pode, também de acordo com o diretor, é apenas ficar olhando e dizer que não tem preocupação com o valor da taxa, pois o regime é flutuante. " O BC tem de estar preocupado se a moeda não está sendo sobrevalorizada por fatores que ele pode corrigir " , avalia.

" Nada contra a estratégia dos bancos de captar reais dessa forma, mas o ator dessa estratégia não pode ser o governo " , conclui.

Pelo lado real, diz o economista, o risco é um forte crescimento das importações inibindo a venda externa e, no limite, comprometendo decisões de investimento. (Eduardo Campos | Valor)

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