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14/10/2009 - 08h28

Bovespa confirmou os 64 mil pontos e dólar fez nova mínima a R$ 1,727

SÃO PAULO - O fim de semana prolongado não esfriou o ânimo dos investidores brasileiros, que seguiram comprando ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e vendendo moeda americana. Os contratos de juros futuros tiveram leve baixa, mas o movimento perdeu importância devido ao baixo volume negociado no dia.

A terça-feira não teve dados relevantes na agenda doméstica e externa. Na Bovespa, as compras ganharam suporte na alta do preço do petróleo e na demanda por papéis relacionados ao mercado doméstico, como as construtoras.

Ao fim do pregão, o Ibovespa apontava alta de 0,90%, aos 64.645 pontos, máxima do dia. A pontuação é a maior desde 30 de junho de 2008, quando o Ibovespa marcou 65.017 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,27 bilhões. Com isso, o ganho acumulado em 2009 sobe para 72,16%. Na avaliação do professor de economia do Ibmec Rio, André Comunale, enquanto o Ibovespa não voltar às máximas históricas registradas acima dos 73.500 pontos, não dá para falar que o mercado está caro.

" Não se pode falar em bolha. Essa puxada de alta está embasada em melhora de resultados, de produção e de emprego " , disse o professor.

Ainda de acordo com Comunale, as compras na Bovespa também têm embasamento na cena macroeconômica internacional. " A China segue firme e também temos a queda do dólar dando fôlego às commodities " , diz.

Em Wall Street, o pregão foi marcado pela instabilidade e agentes mais cautelosos à espera de resultados trimestrais. O Dow Jones fechou em baixa de 0,15%, aos 9.871 pontos. O S & P 500 recuou 0,28%, para 1.073 pontos. Já o Nasdaq ganhou 0,04%, a 2.139 pontos. Encerrado o pregão, a Intel trouxe uma boa notícia movimentando o after market. A fabricante chips de computador registrou lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre deste ano, ou US$ 0,33 por ação. Apesar de 5% inferior aos US$ 2 bilhões obtidos um ano antes, o resultado superou o US$ 0,28 por ação estimado por analistas.

De volta ao mercado doméstico, os vendedores seguiram pautando a precificação da moeda americana, que voltou a fazer mínimas para 2009, abaixo de R$ 1,73.

Ao fim da jornada, a moeda americana valia R$ 1,725 na compra e R$ 1,727 na venda, queda de 0,57%. O preço é o menor desde 5 de setembro de 2008, quando o dólar valia R$ 1,72. No ano, a moeda já caiu 26%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar perdeu 0,46%, para fechar a R$ 1,728. O volume negociado recuou 4,8%, para US$ 219,75 milhões. Já no interbancário, os negócios somaram US$ 2 bilhões. No mercado externo, o dólar também perdeu contra o euro, fazendo novas mínimas para o ano na casa de US$ 1,483. No mercado de juros futuros, os contratos encerraram a terça-feira com leve viés de baixa, mas o movimento perdeu representatividade em função da baixa liquidez.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 196.955 contratos, equivalentes a R$ 17,71 bilhões (US$ 10,18 bilhões), recuo de 60% sobre o registrado na sexta-feira e um dos menores volumes do ano. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 73.810 contratos, equivalentes a R$ 6,53 bilhões (US$ 3,76 bilhões).

Ao final do pregão na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,01 ponto percentual, a 10,47%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,01 ponto, a 11,51%. E janeiro de 2013 projetava 11,99%, recuo de 0,01 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 perdeu 0,01 ponto, marcando 8,69%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, recuou 0,03 ponto, projetando 9,37%. Enquanto novembro de 2009 ganhou 0,01 ponto, a 8,64%.

Na avaliação do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, a curva não deve mesmo perder prêmio de risco, pois o mercado está muito inseguro quanto à evolução da atividade e inflação. Fora isso, ainda há certa divisão entre os agentes, com parte deles defendendo uma antecipação do aperto monetário. " Tudo isso gera um ruído que mantém os prêmios elevados. " No entanto, uma análise mais apurada dos dados correntes e das expectativas não sugere alta de juros no curto prazo. Segundo Rosa, o que existe são algumas projeções apontando para melhora da atividade no ano que vem, o que poderia deteriorar as expectativas de inflação em 2011. Nesse caso a resposta seria alta de juros em meados de 2010, mirando o cumprimento da meta inflacionária do ano seguinte.

Rosa observou que outro ponto de incerteza que acaba somando inclinação da curva é a troca de comando do Banco Central (BC).

(Eduardo Campos | Valor)

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