UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

14/10/2009 - 18h26

Brasil tem potencial para crescer 5% ao ano, diz criador do termo Bric

SÃO PAULO - O Brasil pode apresentar um crescimento econômico potencial de mais de 5% em média nos próximos anos, mas dificilmente chegará aos dois dígitos. A constatação foi feita por Jim O´Neill, economista-chefe do Goldman Sachs, que criou o termo Bric, para designar o grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China - as maiores economias em desenvolvimento do mundo. As projeções anteriores do especialista apontavam para um crescimento do produto potencial - que distingue o crescimento via demanda, que gera inflação, do avanço via capacidade produtiva - de 4% a 4,5% no Brasil. Mesmo tendo melhorado suas estimativas, no entanto, o visionário da força representada pelos países em desenvolvimento na economia global acredita que ainda há uma série de fatores que limitam a escalada do Brasil aos 10% de crescimento econômico.

" Deveríamos ficar contentes com 5%, diante dos últimos 20 ou 30 anos. Depois de permanecermos um bom tempo nos 5%, podemos pensar nos 7%. Mas 10%? O Brasil não tem nem gente para isso " , afirmou o economista. A população, para O´Neill, é um fator relevante na alavancada das economias. A China, por exemplo, se saiu bem na crise devido ao fato de ter um mercado interno robusto, que a faz mais independente das exportações. O Brasil, apesar de também resistente à crise, na opinião de O´Neill, tem alguns pontos fracos como a baixa participação dos investimentos no PIB (Produto Interno Bruto), a imperfeição de abertura do país para o comércio com o resto do mundo e o grande peso que os gastos governamentais têm na economia. Ele elogia a política do governo Lula por estar conseguindo assumir os investimentos que o setor privado não conseguiria, como em infraestrutura e exploração de petróleo. " O apoio governamental é importante. O governo hoje está sendo ponderado " , disse, alertando, no entanto, para o risco da " doença holandesa " , conceito que prevê que uma enxurrada de commodities de um país no mercado internacional gera valorização do câmbio, enfraquecendo assim, seu setor manufatureiro. " O Brasil tem de usar isso (sua força no mercado de petróleo) direito, com controle. Muitos países desperdiçaram seu patrimônio em commodities e se deram mal " , afirmou O´Neill. O economista prevê que o real valerá R$ 1,70 por dólar, em dois meses, mantendo, portanto, seu ritmo de valorização. No que tange à entrada de capital internacional no país, para ele, o desempenho do mercado financeiro brasileiro tende a melhorar, " apesar de não ser mais tão atraente como antes da crise " . " No momento, por outro lado, vemos menor exposição dos investimentos realizados nas multinacionais ocidentais que vão para os Brics " , destacou. Jim O ? Neill é também otimista quanto à recuperação mundial que, em sua opinião, deverá evoluir em forma de " V " nos primeiros seis meses de 2010. (Vanessa Dezem | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host