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14/10/2009 - 16h18

DIs ignoram dados e fecham em baixa na BM & F

SÃO PAULO - A pressão de alta do começo do pregão não se mostrou duradoura e os contratos de juros futuros perderam prêmio de risco pelo segundo dia seguido na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). A diferença, hoje, é que o aumento nas posições vendidas aconteceu em um ambiente de maior liquidez. Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,07 ponto percentual, a 10,41%. O vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,06 ponto, a 11,46%. E janeiro de 2013 projetava 11,97%, recuo de 0,05 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 perdeu 0,01 ponto, marcando 8,68%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, recuou 0,03 ponto, projetando 9,33%. E novembro de 2009 perdeu 0,01 ponto, a 8,63%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 565.785 contratos, equivalentes a R$ 50,37 bilhões (US$ 29,12 bilhões), quase o triplo sobre o registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 271.970 contratos, equivalentes a R$ 24,09 bilhões (US$ 13,92 bilhões). De acordo com o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, a movimentação da curva futura nesta quarta-feira tem cara de " sobe no boato e cai no fato " , pois a redução nos prêmios de risco aconteceu conforme os dados confirmaram forte crescimento do emprego no mercado local e melhora da economia americana. Pela manhã, os agentes receberem os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de setembro. Segundo o Ministério do Trabalho, foram criados 252.617 postos formais no mês passado, oitavo mês seguido de crescimento e melhor resultado do ano. No front externo, as vendas no varejo dos Estados Unidos (descontando os automóveis) subiram mais do que o esperado, o estoque nas empresas voltou a cair e os preços de importação recuaram. Ainda de acordo com o especialista, também é possível observar a curva pela lado técnico. Sempre que o DI janeiro 2011 ultrapassa 11,50% há movimento de venda e, hoje, a taxa chegou a 11,55% na máxima do dia.

Ampliando a análise, Petrassi avalia que o mercado discorda da precificação da curva, mas não está confortável o suficiente para abrir posições vendidas. Para o especialista, não faz sentido esperar uma alta de 0,75 ponto percentual na reunião de 27 de janeiro do Banco Central.

O gestor mantém sua visão de alta de juros apenas em meados de 2010 como forma de conter as expectativas de inflação em 2011. " Alta de juros no começo do ano é muito precipitado " , diz.

O especialista também atenção para o comportamento da taxa de câmbio, que tem grande impacto no comportamento dos preços. A moeda americana segue perdendo valor e, na visão de Petrassi, deve furar a linha de R$ 1,70.

Para a reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom), o gestor avalia que o BC pode mudar sua comunicação, alertando o mercado que, por ora, a taxa segue estável, mas que se tiver de subir, sobe sem pestanejar. Na gestão da dívida pública, o Tesouro realizou leilão para troca de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Letras do Tesouro Nacional (LTN). Do lote de 300 mil LFTs apenas 29 mil foram negociadas, movimentando R$ 116 milhões. Com aceitação ainda menor, a troca de LTNs movimentou apenas 30 mil das 4 milhões de letras ofertadas. Com isso, a operação somou apenas R$ 27,38 milhões. (Eduardo Campos | Valor)

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