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14/10/2009 - 17h50

Faturamento da indústria de máquinas deve cair 20% em 2009, diz Abimaq

RIO - A crise econômica internacional deverá causar uma queda de faturamento de cerca de 20% na indústria brasileira de máquinas e equipamentos. A estimativa é da associação que congrega as empresas do setor, a Abimaq. A entidade ressalta, porém, que a melhora do cenário nos últimos meses - principalmente por conta das medidas tomadas pelo governo para incentivar a economia - melhorou a previsão, que anteriormente era de uma queda de 30% em relação aos R$ 85 bilhões faturados no ano passado. O presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, creditou metade do tombo esperado no faturamento à queda de 40% observada entre janeiro e agosto nas exportações do setor. As vendas externas representam cerca de 30% da receita do setor de máquinas e equipamentos, que no ano passado vendeu quase US$ 15 bilhões para outros países.

" O resto é queda de consumo interno. E está sendo bom, porque no começo do ano prevíamos recuo de 30% " , frisou Neto. " De três meses para cá é que mudou o humor e o ânimo da indústria " , acrescentou, lembrando a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedida até outubro.

O executivo destacou que a crise também interrompeu a trajetória de crescimento que vinha sendo observada na taxa de investimentos - que resulta da formação bruta de capital fixo como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) - da economia brasileira. Segundo ele, nos últimos 10 anos a média da taxa de investimento no Brasil ficou em 17% do PIB, com pico de 19% no ano passado, quando a crise reverteu a tendência.

Neto acredita que o nível de 19% só deverá ser alcançado novamente em 2011 e condiciona esse avanço à desoneração dos investimentos, à redução dos juros e à desvalorização do câmbio. Mas a taxa de investimento considerada ideal, de pelo menos 22%, não deverá ser atingida em menos de cinco anos, segundo o executivo. " Isso, se fizermos a lição de casa, porque senão vamos entregar de mão beijada (os mercados) para os concorrentes lá fora " , afirmou Neto, lembrando da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada no ano passado, na qual a meta do governo era atingir taxa de investimento de 21% do PIB em 2010.

(Rafael Rosas | Valor)

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