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14/10/2009 - 18h38

Vale e siderúrgicas ajudam Bovespa a retomar os 66 mil pontos

SÃO PAULO - Mesmo com valorização de 76% em 2009 e de 125% desde a mínima registrada em outubro de do ano passado, os investidores continuam enxergando possibilidade de valorização na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Hoje, a ampliação de posições compradas levou o Ibovespa a passar por cima dos 65 mil pontos e fazer nova máxima para o ano, acima dos 66 mil pontos.

Com destaque para os ativos da Vale e das siderúrgicas, o Ibovespa subiu 2,41%, para fechar aos 66.201 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 10,35 bilhões, sendo R$ 2,43 bilhões referentes ao vencimento do índice futuro. Tal pontuação é a maior desde 19 de junho de 2008, quando o Ibovespa marcava 66.590 pontos. O estímulo às compras veio do mercado. O JPMorgan, primeiro grande banco a mostrar resultado, surpreendeu de forma positiva ao reportar lucro de US$ 3,6 bilhões, ou US$ 0,82 por ação no terceiro trimestre, contra uma estimativa de US$ 0,52. No front econômico, as notícias também foram positivas. As vendas no varejo (descontando os automóveis) subiram mais do que o esperado, o estoque nas empresas voltou a cair e os preços de importação recuaram. Com tais estímulos, as ordens de compra também dominaram as mesas de operação em Wall Street, onde os índices registraram novas máximas para o ano. O Dow Jones fechou em alta de 1,47%, aos 10.015 pontos, maior pontuação em um ano. O S & P 500 avançou 1,75%, para 1.092 pontos. Já o Nasdaq ganhou 1,51%, a 2.172 pontos. Voltando o foco para a Bovespa, o sócio da Leblon Equities, Pedro Rudge, aponta que existe uma demanda de investidores estrangeiros por ativos do Brasil e isso explica boa parte do forte desempenho do mercado local.

Segundo Rudge, o país ganha destaque por sair da crise melhor do que outras nações e também pelo fato de essa recuperação não carregar um fantasma inflacionário, que ronda alguns países desenvolvidos. " Muitos agentes que não estão presentes avaliam a possibilidade de investimento. O fluxo que ainda está por vir justifica essa forte alta " , resume.

Ilustrando bem o discurso do especialista, no acumulado do mês até o dia 8, os estrangeiros efetuaram compras superiores às vendas em R$ 1,75 bilhão, elevando o saldo de negociação direta no ano para R$ 19,75 bilhões, novo recorde. Ainda de acordo com Rudge, uma forma de amortecer esse fluxo externo é um mercado forte de novas ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) que traga novas empresas ao mercado. " Se a demanda cresce muito e a oferta de empresas não crescer na mesma velocidade, o preço dos ativos sobe, o que pode resultar em valores artificiais para as ações " , explica.

Correndo paralelamente ao fluxo externo há também mudanças estruturais importantes no mercado local, diz Rudge, destacando a queda na taxa de juros. " O investidor doméstico, seja fundo de pensão ou até mesmo pessoa física, tem que correr mais risco já que a renda fixa tem retorno menor. " Olhando para os próximos meses, o sócio da gestora se diz otimista, mas com alguma cautela. Há empresas que já estão no chamado patamar justo de preço, mas ainda existe espaço para valorização em alguns papéis. No front corporativo, o destaque do dia fica com o papel PNA da Vale, que subiu 4,60%, para R$ 40,41, com mais de R$ 1,5 bilhão em negócios, quase o dobro do movimento da Petrobras PN. O papel ON também subiu forte, 4,61%, a R$ 45,30. Entre as justificativas para a alta estão dados vindos da China, onde a importação de minério de ferro subiu 65% em setembro batendo novo recorde histórico. A alta acentuada das ações também teria obrigado alguns agentes a cobrir ou rever posições em função do vencimento de opções que acontece na segunda-feira. Também há justificativas menos palpáveis, como a insistência do empresário Eike Batista em deter uma fatia da mineradora. As siderúrgicas também se animaram com as notícias vindas do oriente. Gerdau PN saltou 6,30%, para R$ 28,65, e Metalúrgica Gerdau PN ganhou 6,46%, a R$ 35,89, maiores ganhos dentro do índice. Ainda no setor, Usiminas PNA e CSN ON subiram mais de 5% cada, para R$ 52,80 e R$ 60,60, respectivamente. Com apoio do preço do petróleo, que fechou acima de US$ 75 o barril de WTI, fazendo nova máxima no ano, o papel PN da Petrobras ganhou 0,92%, a R$ 36,15.

Ganhos expressivos, também, no setor aéreo. Gol PN avançou 6,21%, a R$ 18,80, e TAM PN se valorizou 5,41%, valendo R$ 25,11. Entre as construtoras, Cyrela ON acentuou os ganhos de ontem, avançando 5,32%, para R$ 27,90.

O setor financeiro também atraiu compradores. Bradesco PN teve acréscimo de 2,47%, a R$ 37,20, Itaú Unibanco PN avançou 2,77%, a R$ 37,10, e Banco do Brasil ON ganhou 3,18%, saindo a R$ 32,40. A estatal levantou US$ 1,5 bilhão com a emissão de bônus perpétuos no exterior.

Fora da festa, Cosan ON caiu 2,87%, para R$ 20,25, e MMX Miner ON cedeu 1,86%, para R$ 13,19, depois de bater R$ 14,09 na máxima. Cesp PNB cedeu 1,65%, a R$ 22,59.

E fora do índice, o destaque ficou com os ativos da BrasilAgro, que dispararam 25%, para R$ 11,25. Um acionista vendeu 5,59% do capital ordinário da empresa em leilão. O preço estipulado era de R$ 8,80, mas acabou em R$ 11,28.

(Eduardo Campos | Valor)

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