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15/10/2009 - 12h59

Bovespa resiste às vendas e dólar sobe a R$ 1,705

SÃO PAULO - Depois de passar por cima dos 65 mil pontos e cravar nova máxima para o ano acima dos 66 mil pontos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem um pregão instável nesta quinta-feira. Os agentes mostram alguma inclinação à realização de lucros, mas não estão completamente confiantes na venda. Depois de alcançar os 66.470 pontos na máxima da manhã, por volta das 12h45, o Ibovespa apontava leve baixa de 0,07%, aos 66.153 pontos, com giro financeiro em R$ 2,56 bilhões. O diretor da Wagner Investimentos Ltda., Milton Wagner, comenta que o mercado está em uma zona de instabilidade e suscetível a realizações de lucros. No entanto, não há no radar nada que indique reversão de tendência, ou seja, o Ibovespa cairia para voltar a subir. As afirmações de Wagner têm como base um modelo quantitativo que avalia as posições dos grandes agentes de mercado em mais de 50 ativos ao redor do mundo. No caso do Ibovespa, diz o especialista, o ponto a ser observado está nos 60 mil a 59.500 pontos, pois, caso rompido, indica uma mudança de tendência para o mercado. Pelo lado dos fundamentos, o que garante a expectativa de novo período de alta para a Bovespa é o preço das commodities. Com base no comportamento do índice de commodities CRB, Wagner nota que as matérias-primas não tiveram uma recuperação de preço na mesma magnitude que as bolsas e as moedas. " Vemos que a subida de preço está com efeito retardado " , diz.

No entanto, essa defasagem ne recuperação pode desaparecer. E o gatilho para isso é a China, que já acena com forte retomada de consumo. Vide o recorde de importação de minério de ferro no mês de setembro.

Fora isso, diz Wagner, o modelo sugere que uma variedade de commodities, entre elas, o petróleo, reverteu a tendência de baixa e passou a apontar para cima. Apoiada nesse aumento de preço das matérias-primas, diz o especialista, o Ibovespa poderia buscar os 70 mil pontos. " As commodities são o ponto-chave do momento; elas guardam a expectativa de melhora se o mercado manter o otimismo atual " , explicou.

A mesma avaliação envolvendo as commodities também vale para o dólar. Sendo o Brasil um país exportador, as receitas em moeda estrangeira aumentam com o preço da moeda estrangeira. Considerando esse ponto e levando em conta os ingressos externos para investimento na bolsa, Wagner aponta que o dólar pode testar preços na linha de R$ 1,60 a R$ 1,65.

Da mesma forma que a Bovespa, o câmbio também está em uma zona instável, que chama uma correção, mas a tendência de baixa continua garantida desde que respeitada a linha de R$ 1,81. Hoje, o dólar comercial ensaia ajuste de alta, avançando 0,11%, para R$ 1,705 na venda, primeira apreciação em quatro dias. De volta à Bovespa, as perdas do dia são limitadas, justamente, pelos ativos relacionados às commodities. Vale PNA atraía compradores e tinha aumento de 0,64%, a R$ 40,67, e Petrobras PN ganhava 0,19%, a R$ 36,22. Ente as siderúrgicas, Gerdau PN subia 0,87%, a R$ 28,90.

Liderando os ganhos dentro do índice, CCR Rodovias ON apontava alta de 4,07%, a R$ 34,25, TAM PN valorizava 2,58%, a R$ 25,76, e JBS ON avançava 2,20%, a R$ 10,18.

Depois de ensaiar alta, MMX Miner ON liderava as perdas dentro do índice, recuando 2,04%, a R$ 12,92. Perdas, também, para Souza Cruz ON, que recuava 1,69%, a R$ 68,00. E Telemar ON caía 1,75%, a R$ 41,94. Em Wall Street, o dia também é de baixa, depois de máximas para o ano observadas ontem. Há pouco, o Dow Jones declinava 0,20%, enquanto o Nasdaq diminuía 0,44%.

Os agentes assimilam mais uma rodada de resultados trimestrais e dados financeiros. Entre os bancos, o Goldman Sachs apontou lucro de US$ 3,19 bilhões para o terceiro trimestre, quase quatro vezes mais que o registrado um ano antes. Isso representa US$ 5,25 por ação, cifra superior aos US$ 4,24 estimados pelos analistas. Já o Citigroup não agradou ao mostrar lucro de US$ 101 milhões. A instituição indicou perda de US$ 8 bilhões com crédito.

No campo econômico, a inflação ao consumidor americano subiu 0,2% em setembro, resultado em linha com o esperado. O núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), que tira alimentos e energia da conta, também avançou 0,2%. Ainda foi divulgado que menos americanos foram em busca de seguro-desemprego na semana passada. As requisições caíram em 10 mil, para 514 mil, menor leitura desde janeiro.

(Eduardo Campos | Valor)

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