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15/10/2009 - 15h20

Recuperação da indústria pode ajudar vendas do varejo, aponta IBGE

SÃO PAULO -O ritmo da produção industrial deverá ser o principal balizador dos resultados das vendas do comércio varejista nos próximos meses. A expectativa de Nilo Lopes de Macedo, economista da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de que o varejo sofra influências positivas caso o setor industrial volte a contratar fortemente, aumentando a renda disponível.

"O ritmo vai depender basicamente do que acontecer com a indústria", afirmou Macedo, lembrando que o crédito também apresenta recuperação constante depois de ter sofrido os efeitos da crise internacional. "Nesse cenário, que a gente espera melhor daqui para frente, certamente o comércio vai reagir de forma um pouco melhor do que está reagindo agora", acrescentou. Em agosto, o volume de vendas do comércio varejista subiu 0,7% frente ao resultado de julho, o que significou o quarto mês seguido de alta. O avanço foi puxado pelos super e hipermercados, com alta de 1,6%. Já os grupos tecidos, vestuário e calçados e equipamentos e material de escritório, informática e comunicação tiveram quedas expressivas, de 2% e de 4,9%, respectivamente.

"O grupo Equipamentos e material de escritório surpreendeu. Há um certo esgotamento no consumo desses bens, já que o setor nos últimos três anos cresceu a uma taxa média de 30% ao ano", frisou Macedo.

No comércio varejista ampliado, que teve alta de 3,3% na comparação com julho, a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) continuou puxando as vendas de automóveis, que subiram 2,5% em agosto.

Na comparação com agosto do ano passado, o crescimento de 4,7% no volume de vendas do varejo foi o menor desde os 2,5% de maio. "O patamar de crescimento está menor do que vinha sendo observado até setembro do ano passado, mas o avanço continua firme", destacou Macedo.

Para o técnico do IBGE, o desaquecimento econômico frente ao ano passado contribuiu para a forte baixa de 5,1% no volume vendido de combustíveis e lubrificantes. "A indústria, que perdeu muito, consumiu muito menos", lembrou Macedo.

(Rafael Rosas | Valor)

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