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15/10/2009 - 08h04

Vendas da MRV têm alta de 86% no terceiro trimestre

SÃO PAULO - Há três décadas com atuação focada na baixa renda, a MRV Engenharia, com sede em Belo Horizonte, espera fechar este ano com vendas acima de suas expectativas. Embalada pelo programa de imóveis populares, o Minha Casa Minha Vida, a construtora mineira prevê entregar cerca de 42 mil unidades neste ano - número que imaginava alcançar somente em 2011 - e atingir 50 mil residências no próximo ano.

Os números operacionais preliminares de vendas divulgados ontem ao mercado mostram aumento de 85,8% no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2008. " É o melhor trimestre da nossa história " , comemora Rubens Menin, presidente da empresa. O valor obtido entre julho e setembro foi de R$ 789,4 milhões.

Segundo Menin, o desempenho da MRV durante os nove meses do ano já permite dizer que a construtora vai dobrar suas vendas em 2009 na comparação com o resultado do ano passado. As vendas acumuladas até o fim de setembro, conforme o comunicado, são de R$ 2,07 bilhões, mais de 66% superior a igual período de um ano atrás. " É o quarto ano seguido que vamos conseguir duplicar nossas vendas " , disse o empresário, que levou sua empresa à Bolsa em meados de 2007. Pelas projeções revisadas da construtora anunciadas ontem, a venda deste ano ficará entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3 bilhões, cerca de 20% superior ao piso de R$ 2,4 bilhões estimado anteriormente. O grande salto, no entanto, está previsto para 2010, quando a expectativa é alcançar de R$ 3,7 bilhões a R$ 4,3 bilhões, com cerca de 90% dos imóveis comercializados dentro do perfil do programa Minha Casa Minha Vida. " Já temos um programa acertado com a Caixa Econômica Federal de 70 mil unidades neste ano e no próximo " . Esse imóveis enquadram-se numa faixa de preço de até R$ 130 mil. As vendas do último trimestre tiveram valor médio de R$ 88 mil por unidade. Desde dezembro de 2006, quando o fundo de private equity, o Autonomy Capital Research adquiriu uma participação de 16,7% da empresa, a MRV já captou no mercado financeiro mais de R$ 2 bilhões, incluindo a última operação, de junho deste ano, de R$ 722 milhões, e a oferta pública de ações para entrar no Novo Mercado, em julho de 2007. " Com isso, criamos uma forte capitalização da companhia, o que nos permitiu concentrar no negócio de imóveis populares " , comentou o empresário.

Os recursos levantados em junho, informou, foram utilizados, junto com dinheiro do caixa, em boa parte para fortalecer o banco de terrenos da empresas. " Desembolsamos cerca de R$ 2 bilhões no último trimestre " . No fim de setembro, o valor alcançou R$ 9,5 bilhões, voltando aos níveis de um ano atrás. " Nossa meta é fechar o ano com um banco de terrenos de R$ 12 bilhões " , afirmou o presidente da MRV. Ele explicou que esse valor seria suficiente para suportar três anos de lançamentos, com base no " guidance " (projeção) de venda para 2010. Os lançamentos no terceiro trimestre foram de R$ 650 milhões, com alta de 28,2%, mas no acumulado do ano, entretanto, houve retração de 23%. Caíram para R$ 1,53 bilhão. Menin explica que isso se deveu à limpeza de estoques de imóveis, principalmente os de valor mais elevado, em certa parte do ano, no primeiro semestre. " A partir de outubro voltamos com força ainda maior ao mercado e isso vai se refletir em vendas neste trimestre (uma parte) e em 2010 " .

Ele espera fechar o ano com presença em mais de 80 cidades no país. Atualmente, são 74 em 13 estados. A empresa deve entrar em dois novos estados, mas evitou revelar os nomes. " Nossa atuação é mais forte no Sudeste, mas o Nordeste é a região que mostra maior potencial de expansão. Tem poder de renda inferior, mas é que apresenta maior déficit de moradias e população crescente " .

(Ivo Ribeiro | Valor)

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