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03/11/2009 - 11h16

Produção de bens de capital reage e sobe pelo 6º mês, ressalta IBGE

RIO - Os programas de estímulo à produção criados pelo governo e o aumento do uso da capacidade instalada puxaram o avanço da produção de bens de capital, de 5,8% em setembro, no sexto crescimento seguido da categoria de uso na comparação com o mês imediatamente anterior. O resultado positivo foi generalizado dentro do setor, com destaque, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para os bens de capital para transporte, que têm peso de 40% dentro dos bens de capital.

" A leitura dos bens de capital é positiva e mostra um ritmo mais acelerado em setembro devido a estímulos como linhas de crédito especiais e desoneração de impostos. Também há a recuperação da confiança, puxada pelo aumento da utilização da capacidade instalada " , frisou Isabella Nunes, gerente de análise e estatísticas derivadas.

O grupo de máquinas e equipamentos, que tem parte do impacto sobre o setor de bens de capital, subiu 5,8% frente a agosto. As máquinas e equipamentos também influenciaram positivamente os bens de consumo duráveis, devido ao desempenho da linha branca, que foi beneficiada pela desoneração de impostos, com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Apesar da influência positiva da linha branca, os bens de consumo duráveis recuaram 1,1% em setembro, na comparação com o mês anterior. A queda foi puxada pelos automóveis, cuja produção sofreu com algumas paralisações pontuais em setembro por conta das discussões sobre o dissídio dos trabalhadores.

Mesmo com o recuo da produção de automóveis, os veículos automotores tiveram um crescimento de 3,5%, impulsionado pelos caminhões e pelas autopeças. Estas últimas, junto com o desempenho da siderurgia, foram as principais causas da elevação de 0,8% dos bens intermediários, que têm peso de 55% na produção industrial.

No geral, em setembro, a indústria cresceu 0,8% frente a agosto, voltando ao patamar de produção de março de 2007. Para Isabella, o resultado confirma a trajetória de recuperação iniciada em janeiro. No total, na comparação com dezembro, a produção industrial acumula alta de 14,6%, embora em relação aos primeiros nove meses do ano passado a queda acumulada seja de 11,6%.

" A indústria cresce desde janeiro, mostrando uma recuperação contínua, apoiada no consumo das famílias e na oferta de crédito " , ressaltou Isabella, que evitou fazer projeções para o desempenho no último trimestre. " A base de comparação vai ser bastante reduzida " , acrescentou, lembrando os efeitos da crise internacional sobre a produção industrial no fim do ano passado.

A economista do IBGE chamou a atenção para o desempenho da indústria no terceiro trimestre, quando a produção subiu 4,1% em relação ao trimestre anterior, o melhor resultado para esta comparação desde os 5,4% do quarto trimestre de 2003. Mais uma vez, o destaque ficou por conta dos bens de capital, que reverteram uma sequência de três trimestres negativos, para uma alta de 6,1% entre julho e setembro. O maior avanço, porém, ficou com os bens de consumo duráveis, que avançaram 9,2%, contra alta de 11,5% no segundo trimestre. Os bens intermediários subiram 3,8%, enquanto os bens de consumo semi e não duráveis permaneceram estáveis.

O IBGE minimizou a queda de 7,8% da produção industrial em setembro, na comparação com igual mês do ano passado. Apesar de representar uma aceleração frente ao recuo de 7,2% de agosto, Isabella lembrou que, em setembro deste ano, houve uma dia útil a menos que em setembro do ano passado.

(Rafael Rosas | Valor)

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