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04/11/2009 - 13h25

Bradesco se prepara para competir e alonga prazos

SÃO PAULO - Passado um ano do pior momento da crise internacional, o Bradesco se prepara para recuperar o terreno perdido para os bancos públicos no mercado de crédito durante este período. Ao comentar o resultado da instituição no terceiro trimestre deste ano, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, anunciou hoje um agressivo alongamento de prazos máximos de diversas linhas de empréstimos do banco.

Para as empresas, foi elevado de 150 dias para 210 dias o prazo do desconto de duplicatas e ampliado de 24 meses para 36 meses o vencimento das linhas de capital de giro. Já os clientes pessoa física poderão tomar Crédito Direto ao Consumidor (CDC) com prazo de até 48 meses, e não mais com o limite de 36 meses. Ao mesmo tempo, o prazo do crédito pessoal subiu de 36 meses para 40 meses, sendo que, se houver garantia, poderá chegar a 60 meses.

A decisão de ampliar os prazos foi tomada, segundo o presidente do Bradesco, para aproveitar este momento de transição e já de olho nas perspectivas para 2010, quando o banco calcula que o crédito terá expansão de 20%, levando em conta um crescimento de 5,4% para o PIB.

Trabuco destacou que a competição entre os bancos " é bastante grande " e que levará, em movimento de longo prazo, à redução de taxas e alongamento de prazos de financiamento.

Apesar de ter reconhecido ter perdido fatia de mercado de crédito para os bancos públicos, que teriam cumprido um papel anticíclico na crise, o presidente do Bradesco ressaltou que manteve a participação quando se analisa somente os bancos privados.

Segundo dados do Banco Central (BC), enquanto o saldo dos empréstimos dos bancos públicos cresceu 38,8% em 12 meses até setembro, a alta foi de apenas 7% entre os privados.

No caso do Bradesco, houve expansão de 10,2% na carteira de crédito em um ano, tendo fechado setembro em R$ 215,536 bilhões. Para 2009 todo, o banco mantém a projeção de avanço entre 8% e 12% para os empréstimos.

Trabuco não se mostrou arrependido pela postura adotada durante a crise, de menor agressividade na concessão de crédito, limitando-se a dizer que os resultados obtidos pelo banco foram " muito adequados " com o momento vivido no período. " Em setembro de 2008 estávamos num mundo de muita incerteza e ninguém sabia qual seria a extensão e o tamanho do trauma que a economia internacional teria " , afirmou o executivo.

O Bradesco fechou o terceiro trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 1,811 bilhão, o que significa queda de 5,18% ante o ganho de R$ 1,910 bilhão obtido no mesmo período de 2008.

(Fernando Torres | Valor)

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