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04/11/2009 - 20h42

Brasil não quer impor seus números em Copenhague, diz Lula

LONDRES - O Brasil deverá levar para a conferência do clima de Copenhague (CoP-15) compromissos individuais, sem metas com números fechados. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é preciso negociar números "factíveis" com os demais líderes mundiais e não "impor" metas brasileiras. Nesse sentido, Lula adiantou que tentará convencer o presidente americano, Barack Obama, a participar da conferência e "construir" esses números. "Já assumi o compromisso de reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia e vamos fazer um esforço incomensurável para cumpri-lo", disse o presidente. "Outras políticas serão compromissos do Brasil, não vamos impor nossos números em Copenhague." Lula defendeu que o país assuma compromissos perante a comunidade internacional, a partir de números construídos juntamente com as demais nações. Para Lula, é preciso chegar a números factíveis de emissão de gases-estufa, desaquecimento global e sequestro de carbono da atmosfera, para que não se repita o que aconteceu com o Protocolo de Kyoto, cujas metas muitas nações não vão cumprir. Só que isso depende da negociação prévia entre os líderes mundiais. "Nenhum país vai dar um número antes da mesa de negociação", avalia o presidente. Ressaltando que será preciso "conversar com todos", Lula afirmou que a atual meta da União Europeia (de cortar 20% das emissões em 2020) é "insuficiente" e frisou a importância de convencer Estados Unidos e China a chegar a um acordo. Os compromissos brasileiros também não estão fechados ainda. Em reunião ontem, em Brasília, Lula e seus ministros não chegaram a um acordo e combinaram de acertar os termos finais até o dia 14. Por volta dessa data, segundo Lula, haverá uma reunião que vai preparar a proposta do governo. "Não teremos dois ministros falando diferente. Falaremos a mesma língua e os mesmos números", afirmou.

Segundo Lula, foi o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, quem pediu para que ele conversasse com Obama sobre a conferência de Copenhague. O presidente brasileiro disse que o momento é de induzir os líderes a chegar a esses números factíveis. "O pior que pode acontecer é a sociedade mundial achar que os líderes não estão assumindo a responsabilidade. "O problema é sério, não tem rico nem pobre, todos temos de trabalhar." Lula deu as declarações no hotel Dorchester, em Londres, onde está hospedado para uma extensa agenda na capital britânica. Hoje, ele recebeu o presidente do grupo ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, e o presidente da Alcoa para América Latina e Caribe, Franklin Feder. Depois, participou da inauguração do escritório do BNDES em Londres, segunda representação estrangeira do banco (já há um escritório em Montevidéu). "Ele vai começar pequeno, mas queremos que se transforme em um banco de investimento", comentou o presidente.

Por fim, Lula foi recebido pelo primeiro-ministro Gordon Brown, em sua residência na Downing Street. Os dirigentes falaram sobre a conferência do clima e também assinaram um acordo de cooperação olímpica, para troca de informações relacionadas aos Jogos de 2012 (Londres) e 2016 (Rio de Janeiro). Amanhã, Lula participa do seminário "Investing in Brazil", promovido pelos jornais Valor e Financial Times.

(Paula Cleto | Valor)

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