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05/11/2009 - 17h28

Agentes ficam atentos a discurso do governo e dólar ameniza baixa

SÃO PAULO - O mercado de câmbio nacional manteve a trajetória de baixa nesta quinta-feira, mas já se aproxima de um patamar considerado crítico pelos analistas. A avaliação é de que o piso para desvalorização daqui para o final do ano é R$ 1,70. Nesse sentido, a venda da divisa perdeu força levando a uma queda de 0,34% perante o real, com negociação a R$ 1,7200 para a compra e R$ 1,7220 para a venda.

Na primeira etapa dos negócios, o dólar chegou a ensaiar valorização, tendo alcançado a máxima de R$ 1,7320, mas acabou mais uma vez fechando próximo da mínima de R$ 1,72. O volume financeiro ficou em torno de US$ 1,4 bilhão. Na " roda " de dólar pronto a divisa caiu 0,27%, para R$ 1,723, com movimento de R$ 287,5 milhões.

Analistas de mercado avaliam que a paridade entre dólar e real continua bastante alinhada com a relação entre dólar e euro, com variações mais modestas do que no início desta semana. Para Alexandre Lintz, estrategista-chefe do banco BNP Paribas, os investidores estão mais cautelosos na hora de atuar na ponta de compra.

O temor é de que novas medidas sejam tomadas para controlar a entrada desenfreada de capital estrangeiro no mercado doméstico e a consequente valorização do real. Hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou em Londres que é "importante evitar um excesso de atração, uma 'fatal atraction' (de capitais)".

O comentário ocorreu no seminário "Investing in Brazil", organizado pelo Valor e Financial Times, que reuniu investidores estrangeiros e brasileiros em Londres para apresentar as oportunidades de aplicação no Brasil. " Queremos investimentos, IPOs, mas evitando certos exageros " , reforçou Mantega, lembrando que as medidas, tais como a taxação dos investimentos financeiros e a compra de dólares no mercado à vista, visam conter exageros.

Hoje à tarde o Banco Central voltou ao mercado para sua compra diária de moeda, tendo acatado taxa de R$ 1,7232.

Lintz avalia que qualquer medida a ser tomada pelo governo deve resultar inócua para limitar a valorização do real. " Não dá para imaginar o Brasil com crescimento menor do que o dos Estados Unidos. O diferencial é óbvio e qualquer medida vai ter o mesmo impacto do IOF " , pondera.

A solução, na visão do estrategista, seria elevar o superávit primário e fazer poupança, mas sem emissão de dívida, que resulta em demanda de investidor externo também e se torna ineficiente para essa finalidade. " Mas a possibilidade de isso acontecer hoje é zero " , diz.

(Bianca Ribeiro | Valor)

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