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05/11/2009 - 13h20

Interessada em Belo Monte,Alcoa festeja chance de participar do leilão

BELÉM E LONDRES - Disposta a participar do consórcio que disputará a construção do megaprojeto hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, a gigante americana Alcoa tem enfrentado resistências de algumas empreiteiras a aceitá-la como sócia na operação da futura usina de R$ 16 bilhões.

Na tentativa de driblar as dificuldades empresariais, o presidente da Alcoa América Latina e Caribe, Franklin Feder, tem insistido na necessidade do " autoprodutor " para garantir energia a grandes indústrias consumidoras desse insumo. " As empreiteiras não gostam muito porque querem preços maiores. Mas defendo os interesses da Alcoa " , afirmou ao Valor durante o Fórum Amazônia Sustentável, realizado em Belém. " Somos chatos e vamos verificar tudo. Queremos energia barata. Estamos lutando por isso " . Principal executivo da subsidiária brasileira da Alcoa, maior produtora mundial de alumínio, Feder informou ter apoio da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff para garantir a participação no leilão da usina de 11,2 mil megawatts. " A Casa Civil e a ministra Dilma sabem disso e apoiam o nosso pleito " , afirmou. Ele comemorou a inclusão da figura jurídica nas diretrizes do Ministério de Minas e Energia para o leilão. " Como autoprodutor, saímos ganhando. Mas o Pará também ganha e a obra sai melhor " . A diretriz do governo prevê uma participação entre 10% a 30% de " autoprodutores " no megaprojeto de Belo Monte. Mas as empreiteiras resistem a aceitar as grandes indústrias consumidoras de energia nos consórcios porque haveria uma tendência de redução do preço final do megawatt/hora produzido. Os grandes projetos energéticos contavam com os " autoprodutores " até 2003, quando houve alterações na legislação do setor.

Ancorada na garantia de fornecimento de energia a custos competitivos, a Alcoa poderia, segundo informou Feder, construir uma unidade produtora de alumina em Juruti, no oeste do Pará, onde recentemente inaugurou as operações de mineração de bauxita. A gigante americana, que faturou US$ 27 bilhões em todo o mundo no ano passado, também avalia promover investimentos em uma planta de alumínio em Altamira.

Dona de um investimento de R$ 3,5 bilhões na mina de Juruti, a Alcoa contou, ainda, com a ajuda da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), para convencer o governo federal a admitir os " autoprodutores " no futuro consórcio de Belo Monte. Às vésperas da eleição de 2010, a governadora, candidata à reeleição, atuou de maneira decisiva em conversas com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nas últimas semanas. Sob a alegação dos grandes benefícios econômicos e sociais ao Estado gerados pelos investimentos de indústrias como a Alcoa no Pará, Ana Júlia também pressionou a ministra Dilma Rousseff a aceitar a volta da figura do " autoprodutor " de energia no megaprojeto de Belo Monte.

A Alcoa mantém investimentos em energia no Brasil por meio da participação no consórcio de quatro hidrelétricas - Machadinho e Barra Grande (concluídas) e Estreito e Serra do Facão (em fase de implantação). A companhia de alumínio tem, entre seus sócios, Camargo Corrêa, CPFL, Suez, Vale, Votorantim, entre outros. Essas quatro hidrelétricas devem garantir 70% de autossuficiência na produção de alumínio em Poços de Caldas e na Alumar, usina em operação em São Luís (MA) sob o formato de consórcio, cuja produção soma 450 mil toneladas por ano.

Ontem, em Londres, Feder, entregou pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Londres, um convite para a cerimônia de inauguração da expansão da refinaria de Alumar, em São Luís (Maranhão). A presença do presidente poderia pesar a favor da escolha do Brasil para novos investimentos da Alcoa, desta vez em geração de energia, especialmente no complexo de Belo Monte. A diretoria do grupo precisa deliberar sobre o investimento, na hidrelétrica e em uma unidade de refino, estimado em US$ 5 bilhões. " A presença do presidente na inauguração também ajudaria nessa decisão da companhia de investir em Belo Monte " , resumiu Feder, acrescentando que Lula aceitou o convite. Feder lembrou que o Brasil tem muitas vantagens para a produção de alumínio, como possuir a terceira maior reserva de bauxita e o potencial energético abundante. Condições que bateriam rivais como a China ( " que não tem bauxita e a energia é a carvão, mais cara " ) e Rússia ( " tem energia mas não bauxita " ). No entanto, outras nações podem competir pelos investimentos. " Por isso o presidente Lula tem de ir a São Luís. Queremos manter o Brasil na frente , mas concorremos com todos os outros. " Ele lembrou que, junto com os sócios, a Alcoa aplicou R$ 13 bilhões no Brasil entre 2006 e 2009. (Mauro Zanattta e Paula Cleto | Valor)

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