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05/11/2009 - 12h07

Mantega: com câmbio melhor, país seria mais competitivo que China

LONDRES - O Brasil poderia ser hoje mais competitivo do que a China, não fosse a valorização do real, afirmou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No seminário "Investing in Brazil", o ministro apresentou dados calculados pelo banco Goldman Sachs segundo os quais a moeda brasileira está 51% sobrevalorizada em relação ao dólar.


"O país está tendo de trabalhar com isso e, mesmo assim, tem um saldo comercial favorável", acrescentou Mantega. "Imagine se não houvesse sobrevalorização. Isso mostra o nosso potencial de competitividade."

A uma plateia de empresários e investidores estrangeiros e brasileiros reunida no evento organizado pelos jornais "Valor" e "Financial Times", Mantega explicou ações recentes do governo para tentar conter a valorização do real, como a taxação em 2% da entrada de capital externo para investimentos em bolsa e renda fixa.

"É importante evitar um excesso de atração, uma ?fatal atraction? (de capitais)", disse o ministro. "Queremos investimentos, IPOs, mas evitando certos exageros."

Lembrando que o mercado de capitais também experimenta uma forte expansão, Mantega alertou que as medidas, tais como a taxação dos investimentos financeiros e a compra de dólares no mercado à vista, visam conter exageros.

"Tivemos uma exuberância que foi racional. Por não querer que se torne irracional é que tomamos medidas." Para atrair os olhares dos investidores estrangeiros ao país, Mantega apresentou um compilado de indicadores que mostram a recuperação do Brasil após o ápice da crise econômica.

"Saímos talvez mais fortes do que entramos, ao contrário de vários países que estão saindo enfraquecidos e com crescimento mais moderado." Segundo o ministro, a expansão econômica já deve voltar à rota de crescimento de 5% no ano que vem e poderá sustentar a taxa nos anos seguintes.

A recuperação da crise e a os alicerces do crescimento estão nas medidas do governo de incentivo ao consumo e aos investimentos, e na oferta de crédito.

Para Mantega, o custo das desonerações tributárias praticadas pelo governo no período, estimado em 1,2% do PIB, foi até modesto.

"Tem o efeito multiplicador. Tivemos um resultado de mais 3% do PIB do que teríamos se o governo não tomasse essas iniciativas."

O ministro, que espera um crescimento de 1% da economia neste ano, observou que o Brasil é um dos países que menos gastou para fazer frente à crise e não terá de conviver com a herança pesada de medidas mais fortes, como as expressivas injeções de capital no sistema financeiro feitas por países desenvolvidos.

(Paula Cleto | Valor)

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