UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

05/11/2009 - 10h54

Michelin vende área de seringueiras em Mato Grosso

RIO - A Plantações Michelin do Mato Grosso, controlada pela multinacional francesa dos pneus, acertou a venda de uma área com cerca de 8 mil hectares plantados com seringueiras, no município de Itiquira (MT), para o Grupo Maggi. O valor da transação não foi revelado. A decisão de abandonar a exploração agrícola extensiva da seringueira na região se deveu, segundo a empresa, a razões climáticas.

" Concluímos que não valia a pena manter a produção em escala industrial porque as árvores não davam uma produtividade que justificasse a atividade agrícola em função das condições agroclimáticas " , disse Carlos Eduardo Pinho, diretor de comunicação da Michelin para a América do Sul. Dados da empresa mostram que, a partir de 2003, a produtividade nos seringais de Itiquira situaram-se, em média, em menos de uma tonelada de borracha seca por hectare ao ano. Em São Paulo, o maior produtor do país, a média fica em torno de 1,5 tonelada por hectare. Na África e na Ásia, a produtividade é de cerca de 2 toneladas por hectare.

Pinho disse que a decisão da empresa de se instalar em Mato Grosso foi tomada há 30 anos, quando a Michelin quis fazer uma experiência de plantio de seringueira onde não houvesse o fungo Microcyclus-ulei, o chamado mal das folhas. Essa é uma praga presente nas regiões úmidas da América do Sul. O fungo faz as árvores mais antigas perderem até 50% de produtividade e as mais novas ficarem mirradas e até morrerem.

A empresa comprou 10 mil hectares em Itiquira e iniciou uma plantação industrial, o que envolveu trabalho de correção de solos, formação de viveiros e adaptação das seringueiras à região. Também montou-se uma fábrica para beneficiamento da borracha. A partir do início desta década, constatou-se que as árvores não tinham a mesma produtividade de outras regiões.

Pinho disse que a Michelin vai manter a fábrica de beneficiamento, com capacidade de sete mil toneladas por ano a qual será abastecida com matéria-prima comprada de terceiros. " Também vamos manter a assistência técnica aos produtores da região e a pesquisa sobre resistência ao fungo [que não atacou as árvores em Itiquira] " , disse. Segundo ele, dos 580 funcionários da empresa em Mato Grosso, 70 continuarão empregados. Entre os demitidos, 180 famílias poderão se candidatar a um programa de agricultura familiar do governo.

(Francisco Góes | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host