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05/11/2009 - 12h42

Soja puxa aumento esperado para a safra de grãos no ano que vem

RIO - O crescimento esperado para a produção de soja foi a principal razão para o aumento projetado para a safra de 2010, que deverá atingir 139,3 milhões de toneladas, segundo o primeiro prognóstico feito para o ano que vem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa do instituto é de uma safra recorde de soja, com 63,7 milhões de toneladas, um volume 11,8% superior ao deste ano.

O gerente de agricultura do IBGE, Mauro Andreazzi, explicou que, em 2009, a safra brasileira sofreu com o clima. A estiagem prejudicou as culturas de verão, como a soja, o milho e o arroz, enquanto o excesso de chuvas trouxe impactos negativos para as culturas de inverno, como o trigo. Para o próximo ano, as estimativas foram feitas com base em um calendário meteorológico mais equilibrado.

O clima foi a principal razão para o recuo da safra de grãos este ano, que, de acordo com o 10º Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de 2009, atingirá 134,1 milhões de toneladas, 8,1% abaixo do recorde de 145,9 milhões de toneladas colhidas em 2008. No prognóstico para o ano que vem, a área plantada deverá ser de 47,9 milhões de hectares, recorde da série iniciada em 2005. Mesmo com a área prevista, o IBGE não acredita em um recorde na produção, já que os 139,3 milhões de toneladas estimados estão 4,6% abaixo da safra recorde de 2008. Andreazzi ressaltou que a troca de parte do plantio de milho por soja - opção de alguns agricultores devido aos preços baixos e altos estoques do milho - reduz o rendimento da lavoura.

" A soja vem ocupando a área do milho e o volume da produção é menor. O milho produz em torno de 6 mil quilos por hectare e a soja não chega a 3 mil quilos por hectare, o que faz o volume da produção cair, apesar de a área ser maior " , destacou Andreazzi.

Para 2010, o IBGE estima uma primeira safra de milho de 33 milhões de toneladas, 2,2% menor que a deste ano. A redução da área plantada também afetará as produções de algodão - estimada pelo IBGE para o ano que vem em 2,7 milhões de toneladas, 8,1% abaixo do volume deste calendário - e de arroz, que deverá atingir 11,9 milhões de toneladas, uma queda de 5,1%. Andreazzi também lembrou que o volume não deverá acompanhar o recorde da área plantada devido aos custos de produção, notadamente o adubo, que tinha preços elevados na ocasião do plantio das principais culturas, o que pode levar a um rendimento menor na hora da colheita.

Neste primeiro prognóstico, o IBGE foi a campo verificar culturas que correspondem a 68,7% da produção esperada para o ano que vem, enquanto para o restante das culturas, que ainda não foram plantadas, usou-se uma projeção baseada na média dos últimos cinco anos de área plantada.

(Rafael Rosas | Valor)

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