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06/11/2009 - 09h09

Após nova alta, Bovespa soma 5,3% de aumento na semana

SÃO PAULO - O mercado financeiro doméstico registrou outro dia positivo na quinta-feira, mais uma vez estimulado pelo ânimo continuado nas bolsas estrangeiras. Novos indicadores positivos lá fora e aqui garantiram o tom de confiança entre os investidores.

No fechamento, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apontou alta de 1,41%, aos 64.815 pontos e giro financeiro de R$ 5,464 bilhões, inferior ao registrado um dia antes, de R$ 6,609 bilhões, quando o índice subiu 2%. No acumulado desta semana, a bolsa paulista registra valorização de 5,31%.

O dólar comercial registrou uma queda mais amena do que a do dia anterior, de 0,34%, e fechou cotado a R$ 1,7200 para a compra e R$ 1,7220 para a venda, quase na mínima do dia, de R$ 1,72. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), os Depósitos Interbancários (DIs) também reforçaram a trajetória de baixa das taxas em toda curva.

Pela manhã, o Ibovespa chegou a operar no vermelho, atingindo a mínima de 63.699 pontos, mas reagiu após a abertura de Wall Street. Ainda assim, o ganho foi modesto até a hora final de transações, quando então o índice registrou a máxima de 64.829 pontos. Lá fora, os agentes se mostraram satisfeitos com os dados de produtividade e com o recuo dos pedidos de auxílio desemprego na semana passada. O Dow Jones subiu 2,08%, o Standard & Poor´s teve alta de 1,92% e o Nasdaq avançou 2,42%.

Agentes de mercado comentaram ainda que uma alta forte dos papéis da Petrobras negociados em Nova York, os ADRs, acabou levantando a bolsa na reta final, onde os papéis da petroleira têm peso relevante.

No segmento cambial, o recuo da divisa foi mais modesto, assim como o comportamento da moeda americana no confronto com o euro. O movimento da divisa por aqui tem se mostrado alinhado com a dinâmica cambial externa.

Para Alexandre Lintz, estrategista-chefe do banco BNP Paribas, os investidores estão mais cautelosos ante a possibilidade de novas medidas para controlar a entrada de capital estrangeiro e a consequente valorização do real. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou em Londres que é "importante evitar um excesso de atração, uma ´fatal atraction´ (de capitais)".

O comentário ocorreu no seminário "Investing in Brazil", organizado pelo Valor e Financial Times, que reuniu investidores estrangeiros e brasileiros em Londres para apresentar as oportunidades de aplicação no Brasil. "Queremos investimentos, IPOs, mas evitando certos exageros", reforçou Mantega, lembrando que as medidas, tais como a taxação dos investimentos financeiros e a compra de dólares no mercado à vista, visam conter exageros.

Lintz avalia que qualquer medida a ser tomada pelo governo deve resultar inócua para limitar a valorização do real. "Não dá para imaginar o Brasil com crescimento menor do que o dos Estados Unidos. O diferencial é óbvio e qualquer medida vai ter o mesmo impacto do IOF", pondera.

No segmento de DIs, a baixa foi reforçada pelos dados industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que corroborou a análise do mercado desencadeada com os dados de setembro do IBGE, quando a atividade cresceu menos do que o esperado.

O conjunto de números também relevou recuperação controlada, sem risco inflacionário no curto prazo, o que resultou em novo fechamento das taxas. Parte da devolução de prêmios também está relacionada com o rali da semana passada entre os contratos, que gerou um excesso a ser ajustado, segundo analistas.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava queda de 0,09 ponto percentual, a 10,13%. O vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,07 ponto, a 11,51%. Janeiro de 2013 projetava 12,21%, recuo de 0,05 ponto.

(Bianca Ribeiro | Valor)

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