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06/11/2009 - 18h17

Credores aprovam recuperação do Independência

SÃO PAULO - Depois de quase 12 horas reunidos na quinta-feira, credores do frigorífico Independência aprovaram o plano de recuperação judicial da empresa. Entre os credores trabalhistas, com os quais as dívidas do Independência somam R$ 1,172 milhão, a aprovação foi de 100%. No caso dos credores financeiros com garantia real - R$ 69,184 milhões - a aprovação alcançou 98,35%. O menor percentual a favor do plano foi entre os credores quirografários (sem garantia), situação de grande parte das instituições financeiras credoras do Independência. Do total de crédito de R$ 1,530 bilhão, 69,6% aprovaram o plano, mas grande parte deles com ressalvas.

O Independência pediu recuperação judicial em fevereiro deste ano e em julho apresentou um plano que previa a criação de uma nova empresa e de uma dívida perpétua. Credores financeiros, no entanto, rejeitaram a proposta. No plano modificado, que foi aprovado na quinta, os credores financeiros aceitaram um perdão de 50% sobre o valor atualizado do crédito desde a data do pedido de recuperação judicial, em 27 de fevereiro deste ano. Os créditos em moeda nacional serão corrigidos pela Selic e os em moeda estrangeira pela Libor, acrescidos de 1% ao ano.

O pagamento do principal para esses credores será feito numa única parcela em 30 de dezembro de 2016, enquanto os juros, das dívidas em reais, com taxa de 14% ao ano, serão quitados em parcelas semestrais a partir de 1 de julho do ano que vem. No caso das dívidas em dólar, a taxa sobre o pagamento dos juros é de 12% ao ano.

O perdão de 50% das dívidas com os credores financeiros significa uma redução de cerca de R$ 1 bilhão na dívida total do Independência, na casa dos R$ 3 bilhões. O plano prevê que os sócios controladores "obrigam-se " a buscar a venda do controle da empresa. Credores financeiros propuseram e conseguiram que a empresa emita um bônus de subscrição, uma espécie de ação a que os credores terão direito no caso de venda do controle. Assim, se a empresa for vendida, 50% do valor da operação será dividido entre os credores financeiros (a divisão levará em conta o tamanho da dívida do Independência com cada um deles).

O plano aprovado prevê ainda o pagamento de um valor mínimo de R$ 100 mil aos pecuaristas até 31 de janeiro de 2010, com possibilidade de prorrogação para 31 de março. O saldo será dividido em 24 meses. No caso de a empresa ser vendida, o pagamento será antecipado. O plano prevê também a venda parcial de ativos num total de R$ 110 milhões para pagar dívidas com fornecedores do Independência. Para que a empresa volte a operar novas unidades, a estimativa é de que sejam necessários R$ 260 milhões. Por isso, também deverá obter novos financiamentos na forma dívida ou aportes de capital.

(Alda do Amaral Rocha | Valor)

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