UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

09/11/2009 - 08h31

Após dados de emprego nos EUA, Bovespa caiu 0,54% e dólar recuou 0,17%

SÃO PAULO - Com dados de desemprego ruins nos Estados Unidos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acabou registrando um pregão de ajuste de baixa na sexta-feira que foi marcada pela volatilidade nos mercados acionários globais. O dólar, por sua vez, seguiu ampliando a desvalorização perante o real.

Depois de oscilar entre a máxima de 65.093 pontos e a mínima de 63.586 pontos, o Ibovespa fechou a sexta-feira aos 64.446 pontos, com baixa de 0,54%. O giro financeiro ficou em R$ 5,783 bilhões. No acumulado da semana passada, a bolsa alcançou ganho de 4,75%, levando o índice a uma alta de 71,68% no ano.

O dólar comercial apontou queda de 0,17%, cotado a R$ 1,717 para a compra e R$ 1,719 para a venda. Na semana, a divisa somou desvalorização de 2,16%, aumentando para 26,35% a queda no ano. Na " roda " de dólar pronto, a moeda ficou em R$ 1,7189, queda de 0,26%, com US$ 206,7 milhões. Já as bolsas americanas conseguiram encerrar com leve alta, amparadas em dados corporativos.

Desde a abertura dos negócios, o Ibovespa indicou instabilidade. Meia hora depois da abertura, o índice caiu mais de 1%. A reação brusca veio com o aumento do nível de desemprego nos EUA para 10,2% em outubro, ante expectativas de 9,9%.

Passado o susto, os agentes lá fora avaliaram outros dados e levaram em conta a desaceleração do ritmo de fechamento de vagas no país, calculado pelo indicador de folha de pagamento (payroll). No resumo, os dados acabaram se contrapondo, o que resultou em falta de rumo em Wall Street.

Essa ausência de tendência durou bastante tempo na bolsa paulista também, mas prevaleceu a ponta de venda nas horas finais. Para Kelly Trentin, analista de investimentos da corretora SLW, os dados negativos lá fora não chegam a afetar diretamente as expectativas econômicas locais, mas o aumento de incertezas acaba induzindo a uma realização de lucros aqui no Brasil.

Entre os ativos de maior peso na carteira do Ibovespa, Petrobras PN recuou 0,96%, para R$ 36,05; Vale PNA caiu 0,69%, a R$ 41,61; Itaú Unibanco PN declinou 0,43%, para R$ 36,54; BM & FBovespa ON cedeu 0,48%, para R$ 12,30; e as ações PN do Bradesco registraram baixa de 0,73%, a R$ 34,99.

No segmento cambial, o movimento do dólar continuou acompanhando a desvalorização do dólar perante outras moedas, especialmente do euro. Ao mesmo tempo, a trajetória da divisa no mercado doméstico vem se sustentando pelo fluxo de recursos gerado pela recuperação da economia local e pelo bom retorno no mercado financeiro brasileiro comparado à remuneração de taxas externas.

O Banco Central (BC) também voltou ao mercado com seu leilão de compra, acatando taxa de R$ 1,7180, mas essas atuações pouco têm influenciado no rumo da divisa. Os agentes continuam cautelosos ante a possibilidade de novas medidas para limitar a entrada de capital estrangeiro no país.

Os contratos de juros futuros com vencimento longo também reforçaram o rumo de queda. Os DIs mais curtos negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) fecharam estáveis, já que o mercado considera o cenário para a Selic para os próximos meses previsível nesse sentido. Os contratos longos se ajustaram para baixo, corrigindo excessos de alta registrados na semana anterior, bem como por dados industriais do país, que apontarem recuperação moderada, sem riscos inflacionários e, portanto, reduzindo a chance de aperto monetário. Rodrigo Nassar, analista da Hencorp Commcor Corretora, avalia que as taxas não devem ter movimentos muito bruscos até que surja uma notícia que dê um novo norte pras próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava queda de 0,01 ponto percentual, a 10,12%. Já o vencimento para janeiro de 2012 recuou 0,05 ponto, a 11,47%.

(Bianca Ribeiro | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host