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09/11/2009 - 12h58

BlackRock vê Brasil como prioridade para crescer

SÃO PAULO - A BlackRock, maior gestora de recursos independente do mundo, com cerca de US$ 3 trilhões em ativos, tem o Brasil como uma de suas prioridades nos próximos anos. A informação é de Daniel Gamba, que será o responsável pela área de América Latina e Países Ibéricos (Espanha e Portugal) da gestora. Gamba responde hoje pela divisão de América Latina e Caribe do Barclays Global Investor (BGI), braço de de gestão de recursos do banco britânico. O BGI foi vendido para a BlackRock e a operação deverá ser concluída em dezembro.

O objetivo da gestora é, em cinco anos, chegar a US$ 90 bilhões em ativos na América Latina e países ibéricos, triplicando o valor atual de US$ 30 bilhões, afirma Gamba.

Em visita ao Brasil, o executivo diz que um dos principais focos da BlackRock será o desenvolvimento do mercado de fundos de índices com cotas negociadas em bolsa, os Exchange Traded Funds, ou ETF. " Em um segundo momento, deveremos trazer também outros tipos de fundos para o mercado brasileiro, mas sempre voltados para o público institucional, não de varejo " , diz.

O Barclays é líder mundial em ETF, com um patrimônio US$ 450 bilhões em fundos da marca iShares. Essa área passará toda para a BlackRock. No Brasil, o Barclays começou recentemente a atuar nesse mercado. Foram criados, no fim do ano passado, três fundos ETF ligados aos índices Bovespa, de Small Caps (pequenas empresas) e de Middle and Large Caps (médias e grandes empresas).

Na América Latina, o mercado de ETF reúne um patrimônio de US$ 17,5 bilhões, sendo US$ 7,5 bilhões de fundos domiciliados ou listados localmente e mais US$ 10 bilhões carteiras da região negociadas em outros países. O México é o mercado mais consolidado, com US$ 8 bilhões locais e internacionais, seguido do Chile, com US$ 5 bilhões. O Brasil tem US$ 1,5 bilhão local. Peru e Colômbia respondem por US$ 1 bilhão e Miami por outros US$ 2 bilhões em fundos internacionais ( " offshore " ) da região. " Mas o Brasil é onde temos mais oportunidade de crescer. " Gamba observa que o país representa 60% dos ativos da América Latina, mas apenas 7% a 8% do segmento de ETF da região. Segundo ele, são negociados diariamente na Bolsa de Nova York US$ 1 bilhão em ETF referenciados no índice MSCI Brasil. " O ETF de Brasil é um sucesso lá fora, com um patrimônio de mais de US$ 8 bilhões, e o interesse pelo país está crescendo " , diz.

Para sustentar esse plano de crescimento, o Barclays ampliou a equipe de gestão, de 7 para 14 pessoas no Brasil. Na América Latina, o número deve subir de 55 para 70 pessoas até o fim do ano. " A BlackRock operava apenas via Nova York, e agora vai ter presença local, e isso deve ajudar na ampliação dos negócios " , afirma Gamba. A prioridade do executivo é desenvolver o mercado de ETF, especialmente no Brasil, onde o patrimônio do mercado está ainda concentrado no fundo PIBB, administrado pelo Itaú Unibanco. Em outubro, os quatro ETF - três do Barclays e um do Itaú - negociaram R$ 537,95 milhões na Bovespa, com 7.411negócios. Mas o ETF mais negociado foi o iShare de Ibovespa, com R$ 435,64 milhões. Uma das preocupações do executivo é evitar que os ETF sejam vistos como concorrentes dos fundos de investimento. " Isso não acontece, os ETF são complementares e até permitem a criação de fundos que aplicam em suas cotas, aumentando as alternativas dos gestores " , diz.

(Angelo Pavini | Valor)

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