UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

09/11/2009 - 07h38

Projeto de saúde de Obama avança, mas caminho será duro

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu no fim de semana um passo importante para realizar a ampla reforma do sistema de saúde americano, que ele definiu como a prioridade de sua agenda doméstica, mas as dificuldades encontradas por seus aliados no Partido Democrata indicam que as próximas etapas da batalha no Congresso serão ainda mais desafiadoras.

Na noite de sábado, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou pelo apertado placar de 220 votos a 215 um projeto ambicioso que promete reduzir os custos do sistema de saúde do país e estender sua cobertura a 36 milhões de americanos que hoje não têm nenhuma assistência médica. Mas vários dispositivos da proposta enfrentam oposição no Senado, onde os democratas planejam colocar em votação outro projeto sobre o assunto nas próximas semanas.

Os democratas conseguiram no sábado apenas dois votos além do mínimo necessário para aprovar o projeto na Câmara, e um deles graças a uma defecção de última hora nas fileiras do Partido Republicano, que faz oposição a Obama. Dos 248 integrantes da bancada democrata, 38 votaram contra o projeto, preocupados com as consequências que o apoio à iniciativa teria para seu futuro político.

A maioria dos democratas que votaram contra os interesses da Casa Branca representa distritos conservadores que foram controlados pelos republicanos até recentemente. A prioridade desses deputados é se reeleger nas eleições legislativas do próximo ano e eles temem perder o mandato se apoiarem iniciativas controversas como o plano dos democratas para a saúde.

Obama foi no sábado até o Congresso para fazer um apelo pessoal aos democratas mais recalcitrantes. Ele reconheceu as dificuldades que muitos deles poderão ter no ano que vem e ontem agradeceu o " voto corajoso " dos membros da Câmara, num pronunciamento na Casa Branca. Obama quer que a versão final da reforma seja aprovada pelo Congresso antes do fim do ano.

O plano dos democratas é concluir a redação do projeto do Senado e aprová-lo até o fim de novembro. Se conseguirem fazer isso, os líderes do partido na Câmara e no Senado terão que negociar depois um novo texto para eliminar as diferenças entre a proposta do Senado e a aprovada na Câmara. A versão final terá que ser votada pelo plenário das duas casas do Congresso.

No centro da controvérsia está a criação de um plano de saúde administrado pelo governo, que competiria diretamente com os planos oferecidos por seguradoras privadas para forçá-las a reduzir os prêmios cobrados dos usuários. A proposta passou na Câmara, mas é tabu no Senado, onde seus críticos acham que o aumento da interferência do governo no setor seria danoso.

O líder dos democratas no Senado, Harry Reid, sugere a criação de um mecanismo que daria aos Estados contrários à ideia o poder de impedir a entrada do plano do governo em suas fronteiras. Outra proposta em debate prevê a criação de cooperativas privadas sem fins lucrativos subsidiadas pelo governo federal para competir com os planos tradicionais.

O senador Joe Lieberman, que não é filiado a nenhum partido mas costuma votar com os democratas, reafirmou ontem que é contra a introdução de um plano administrado pelo governo. Numa entrevista à rede de televisão CBS, o republicano Lindsey Graham avisou que o projeto aprovado pela Câmara não tem a menor chance de passar pelo Senado sem modificações.

Bastam 51 votos para aprovar a reforma no Senado, mas os democratas precisam de 60 para colocar o projeto em votação sem que os republicanos criem obstruções no plenário. Os aliados de Obama têm 58 das 100 cadeiras do Senado. Eles só conseguirão prevalecer se vencerem as resistências da ala mais conservadora do partido e de independentes como Lieberman.

Projeções oficiais sugerem que o plano aprovado pela Câmara aumentará em US$ 1,1 trilhão as despesas do governo americano na próxima década. Os democratas prometem financiar o plano com aumentos de impostos e cortes de despesas nos programas que atualmente garantem atendimento médico a pobres e idosos. Mas os críticos do projeto acreditam que as projeções subestimam os custos que o governo teria na implementação da reforma.

(Ricardo Balthazar | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host