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10/11/2009 - 08h04

Bovespa fechou abaixo dos 72 mil pontos e dólar ficou estável

SÃO PAULO - O pregão de terça-feira encerrou com perdas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), dólar estável, e curva de juros futuros mostrando certa divisão. Sem indicadores relevantes na agenda do dia, os agentes assimilaram a decisão da China de impor maior controle ao capital externo como resposta à decisão do Federal Reserve (Fed), banco central americano, de injetar US$ 600 bilhões no mercado via compra de títulos do Tesouro.

No campo local, circularam pelas mesas rumores de que o Banco Central (BC) faria algum anúncio após o encerramento do mercado. O que não se confirmou. Durante o pregão surgiram conversas de que o BC poderia rever o percentual de depósitos compulsórios (parcela dos recursos que não podem ser emprestadas).

Outro boato, mas esse confirmado ontem mesmo, dava conta de que o Banco PanAmericano passava por alguma dificuldade. Às 19h42 veio a confirmação. A instituição postou Fato Relevante na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), indicando que o Grupo Silvio Santos fará um aporte de R$ 2,5 bilhões na empresa. Cabe lembrar que a Caixa Econômica Federal tem 49% do banco.

De acordo com o documento, os recursos serão obtidos mediante uma operação financeira contratada com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e integralmente garantida por bens do patrimônio empresarial do grupo.

Ainda de acordo com o comunicado, o banco firmou um "Termo de Comparecimento" com o Banco Central após terem sido encontradas "inconsistências contábeis" nos balanços, que não estariam refletindo adequadamente a situação patrimonial do banco.

O aporte visa "restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição, de modo a preservar o atual nível de capitalização", disse o banco.

Com tal notícia, foco, hoje, nas ações de outros bancos médios listados na Bovespa. Mesmo que as instituições reafirmem sua solidez, esse tipo de evento sempre traz insegurança ao mercado. Ontem, o papel PN do Panamericano caiu 6,74%, para R$ 6,77, com expressivo giro de R$ 48,73 milhões. No ano, as ações já despencaram 35,5%.

Todo o setor financeiro já esteve sob pressão no pregão de terça-feira. As units do Santander Brasil perderam 5,58%, a R$ 24,50, as ações PN do Bradesco caíram 2,96%, a R$ 36,00 e do Itaú Unibanco recuaram 2,68%, a R$ 42,36.

Ampliando a análise, o Ibovespa chegou a testar os 73 mil pontos, mas terminou a jornada com baixa de 1,35%, aos 71.679 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 6,80 bilhões.

Embora operadores de mercado tenham apontado que um movimento de realização de lucros tomou conta do pregão, dada a alta recente das bolsas, a queda do índice só se confirmou e se acentuou na segunda etapa dos negócios.

O assessor de investimentos da corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro, assinala que o suposto aumento do compulsório seria uma medida menos impopular que o aumento dos juros, neste momento de transição de governo.

Além dos bancos, as construtoras também caíram com força. Puxando as perdas Gafisa ON cedeu 6,04%, a R$ 13,53), Cyrela ON (-5,39%, a R$ 21,05), Rossi ON (-4,84%, a R$ 16,1) e PDG Realty ON (-4,09%, a R$ 10,53).

No mercado de câmbio, o pregão foi morno. Depois de oscilar apenas R$ 0,01 entre máxima de mínima, o dólar comercial encerrou o dia estável, valendo R$ 1,699 na venda. Chama atenção o elevado volume estimado para o interbancário de US$ 3 bilhões.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dólar cedeu 0,06%, a R$ 1,6966. O volume saltou de US$ 70 milhões, para US$ 334,25 milhões.

Segundo o gerente de mesa da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca, o mercado está de olho na reunião do G-20, que acontecerá no fim da semana, mesmo sabendo que nenhuma solução para a perda global de valor do dólar deverá ser atingida.

Na visão do especialista, o clima para a reunião é de represália aos Estados Unidos, que agravou o cenário de queda no preço do dólar ao anunciar a injeção de mais US$ 600 bilhões na economia via a compra de títulos do Tesouro até junho de 2011.

No entanto, ponderou Siaca, não há muito que fazer contra os EUA. Afinal de contas, todos são credores do país, então é melhor tentar ajuda a economia americana a voltar a crescer do que tentar afundá-la ainda mais.

No mercado de juros, o pregão foi bastante instável. Durante boa parte do pregão a curva manteve a divisão que surgiu na segunda-feira, com a diferença de que eram os vencimentos curtos que apontavam para cima, enquanto os longos perdiam prêmio de risco.

Em pauta, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, que ficou no teto das expectativas ao marcar 0,75%, maior leitura desde o 0,78% de fevereiro. Com isso, o IPCA em 12 meses subiu de 4,70% para 5,20%. Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, com a divulgação do IPCA, a possibilidade de corte de juros já no começo de 2011, que foi lançada no mercado na segunda-feira, praticamente não existe. Por isso da inversão de mão, ou seja, os curtos acumulando prêmio e os longos justando para baixo.

No entanto, conforme os rumores de alguma declaração do Banco Central ganharam força, os longos passaram a acumular prêmio no call de fechamento e a curva futura praticamente perdeu a divisão.

Ainda de acordo com Petrassi, o noticiário político continuou influenciando a formação da curva. Matéria do Valor indicou que Dilma Rousseff deve manter os comandos da Fazenda, Banco Central e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"O mercado vai ficar nervoso até a definição de equipe", disse Petrassi, lembrando que a cada dia há uma composição diferente para os ministérios.

Especulações à parte, Petrassi afirma que o fato conhecido pelo mercado é que a inflação está elevada, a demanda doméstica está forte e o lado fiscal é ruim. Conjunto que exige uma postura mais ousada do Banco Central.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2013 mostrava valorização de 0,03 ponto, a 11,93%. Janeiro de 2014 ganhava 0,01 ponto, a 11,89%, depois de cair a 11,71%. Mas janeiro de 2015 perdia 0,06 ponto, a 11,83% e janeiro 2016 devolvia 0,08 ponto, a 11,80%.

Entre os curtos, dezembro de 2010 caía 0,01 ponto, a 10,63%. E janeiro de 2011 apontava 10,65%, sem alteração. Março de 2011 ganhava 0,01 ponto, a 10,68%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,06 ponto, a 11,49%.

Até as 16h10, foram negociados 814.700 contratos, equivalentes a R$ 70,23 bilhões (US$ 41,38 bilhões), queda de 22% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 233.380 contratos, equivalentes a R$ 20,60 bilhões (US$ 12,14 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)
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