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11/11/2009 - 08h15

Bovespa fecha estável, Panamericano desaba 30% e dólar sobe a R$ 1,711

SÃO PAULO - A quarta-feira foi mais um dia de instabilidade nos mercados locais e externos. Os agentes assimilaram notícias relevantes vindas da China, Europa e Estados Unidos enquanto acompanharam os preparativos para a reunião do G-20 que começa oficialmente hoje em Seul.

Por aqui, o resumo desse dia teve a seguinte cara. Leve baixa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), firme valorização no preço do dólar e juros futuros sem direção definida.

Começando pela China, o Banco Central do país decidiu elevar a taxa de depósito compulsório (parcela de recursos que os bancos não podem emprestar) como forma de conter o crescimento do crédito. Esse foi quarto aumento de compulsório anunciado no ano e a impressão de parte do mercado é de que novas medidas virão para conter o consumo e a inflação. Na Europa, os agentes seguiram de olho no preço dos títulos e seguros contra o calote de Portugal, Irlanda e Espanha. Depois de um período de calmaria a desconfiança com relação à capacidade de pagamento desses países voltou a frequentar o noticiário.

Nos Estados Unidos, a demanda por seguro-desemprego caiu na semana passada, o déficit comercial ficou menor em setembro e os preços de importação subiram em outubro.

Apesar do viés positivo das informações (menor desemprego, maior exportação e menor risco de deflação) as bolsas em Wall Street operaram em baixa durante o maior período do dia. O que determinou o rumo dos índices de ações foi o anúncio feito à tarde pelo Federal Reserve (Fed), banco central americano, sobre o montante de dólares que serão usados dentro de aproximadamente 30 dias na compra de títulos do Tesouro. O número que agradou a todos foi US$ 105 bilhões.

Após o anúncio, o dólar perdeu força, a taxa de retorno dos títulos do Tesouro caiu, e as ordens de compra aumentaram em Nova York. Com isso, o Dow Jones marcou leve alta de 0,09%, a 11.357 pontos. O S&P 500 se valorizou 0,44%, para 1.218 pontos. E o Nasdaq avançou 0,62%, para 2.578 pontos.

Na Bovespa a cautela falou mais alto com agentes atentos à reunião do G-20 e ao setor financeiro brasileiro, depois da cobertura de um rombo de R$ 2,5 bilhões no Panamericano.

Depois de oscilar mil pontos entre máxima e mínima, o Ibovespa fechou com leve baixa de 0,06%, aos 71.638 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 7,30 bilhões.

O analista de investimentos da Petra Asset, João Luiz Piccioni, ressaltou que as notícias envolvendo o Banco Panamericano balizaram o mercado. A instituição anunciou um rombo contábil em seus balanços e seu controlador, o Grupo Silvio Santos, decidiu fazer um aporte de R$ 2,5 bilhões, via Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

"O evento gera um pouco de crise de confiança, mas não deve se estender por muito tempo, já que os bancos médios não estão em maus lençóis. Foi apenas um fato pontual. De toda forma, a notícia trouxe precaução aos investidores, que aproveitaram para fazer algumas realocações de portfólio e para embolsar uma parte do lucro recente", comentou.

Os papéis PN do Panamericano despencaram 29,54%, para R$ 4,77, com total negociado de R$ 162,9 milhões. Perdas também para os bancos médios, BicBanco PN (-5,36%, a R$ 15), Sofisa PN (-4,8%, a R$ 4,95), Paraná Banco PN (-4,43%, a R$ 14) e Daycoval PN (-2,98%, a R$ 12,03).

Contrastando com a forte queda dos papéis desses bancos, as ações de grandes instituições tiveram valorização. Bradesco PN ganhou 1,38%, a R$ 36,50, Itaú Unibanco PN subiu 1,15%, a R$ 42,85 e as units do Santander Brasil ganharam 1,06%, a R$ 24,76.

No câmbio, o dólar comercial teve firme valorização retomando a linha de R$ 1,71. A moeda encerrou o dia com alta de 0,70%, a R$ 1,711 na venda. Na máxima, a divisa foi a R$ 1,718. O giro estimado para o interbancário ficou em US$ 2,2 bilhões.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dólar ganhou 0,82%, a R$ 1,7105. O volume subiu de US$ 334,25 milhões para US$ 452,75 milhões.

Segundo o diretor de Tesouraria do Banco Prosper, Jorge Knauer, a formação de preço tem escapado um pouco dos fatores econômicos em função das expectativas envolvendo o encontro do G-20.

Pelo lado mais tangível, Knauer chama atenção à redução nas posições vendidas (que ganham com a queda do dólar) dos investidores estrangeiros no mercado futuro. Os não residentes fecharam o pregão de terça-feira vendidos em US$ 4,75 bilhões, contra uma posição de US$ 7,35 bilhões registrada no dia 4 de setembro.

Ainda olhando as posições na BM&F, chama atenção a virada de mão dos bancos, que passaram a deter posição vendida pela primeira vez desde junho. O estoque vendido estava em US$ 327 milhões. Cabe lembrar que no mês passado, a posição comprada (que ganha com a alta do dólar) chegou a passar dos US$ 12 bilhões.

De acordo com o especialista, é muito difícil tirar alguma conclusão dessa movimentação dos bancos, pois as posições na BM&F representam apenas uma fatia da exposição cambial das instituições, que também carregam posições à vista, além de linhas externas e outros instrumentos que envolvem o câmbio.

Knauer também chama a atenção para a instabilidade do câmbio externo. O euro, por exemplo, fez mínima a US$ 1,367, menor preço em um mês, mas chegou a virar de lado e operar em alta.

Avaliando o encontro do G-20, o tesoureiro lembra que o histórico recente ensina que essas reuniões não chegam a um denominador comum. As opiniões são díspares e não se formam consensos. "O encontro não deve render solução estratégica. Devemos ver uma declaração conjunta no fim do evento, mas nada em termos práticos." No mercado de juros futuros, os contratos registraram um pregão instável e fecharam a jornada mostrando uma divisão. Os vencimentos curtos rondaram a estabilidade, enquanto os longos reverteram movimento de alta e apontaram para baixo.

Em pauta no dia, dados de inflação, o desenrolar das negociações políticas para a formação do próximo governo e as declarações que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez em Seul.

Começando pelo lado político, o economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, aponta que o mercado está um tanto cético com as sinalizações proveniente do governo. As informações são desencontradas. E os pontos mais conflitantes são ajuste fiscal, CPMF e reajuste do salário mínimo.

Somam-se a isso os dados mais salgados de inflação. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) que subiu 1,03% em outubro, pouco acima do previsto.

Passando para Seul, Mantega falou que será possível cortar os juros em 2011, e que tal movimento terá respaldo no controle da inflação, redução dos gastos públicos e menores repasses ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Serrano, o mercado não comprou essa fala do Mantega. "Não dá para baixar juros na marra", diz o economista, lembrando que o governo até pode baixar juros por decreto, mas essa não será a taxa praticada pelo mercado.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2013 mostrava desvalorização de 0,05 ponto, a 11,92%, depois de subir a 12%. Janeiro de 2014 recuava 0,04 ponto, a 11,86%. E janeiro de 2015 perdia 0,05 ponto, a 11,85%.

Entre os curtos, dezembro de 2010 registrava estabilidade, a 10,63%. E janeiro de 2011 apontava 10,65%, sem alteração. Março de 2011 ganhava 0,01 ponto, a 10,68%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, também apontava alta de 0,01 ponto, a 11,53%.

Até as 16h10, foram negociados 701.555 contratos, equivalentes a R$ 58,74 bilhões (US$ 36,41 bilhões), queda de 14% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 225.655 contratos, equivalentes a R$ 19,91 bilhões (US$ 11,73 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)
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