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11/11/2009 - 11h09

Alimentos voltam a recuar e contribuem para controlar IPCA

RIO - Os alimentos contribuíram para que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingisse 0,28% em outubro, o menor patamar para um mês de outubro desde o 0,14% de outubro de 2000. No ano, o IPCA acumula alta de 3,50%, o menor nível para os dez primeiros meses do ano desde 2007. Nos 12 meses encerrados no mês passado, o índice - que baliza a meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) - atingiu 4,17%, o menor patamar desde os 4,12% de outubro de 2007.

No mês passado, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,09%, contra uma queda de 0,14% em setembro. Apesar da diminuição do ritmo de deflação, produtos importantes como o leite pasteurizado, com baixa de 6,73%, e o feijão carioca, com recuo de 4,72%, tiveram quedas expressivas de preços em outubro.

" O leite está em período de safra, com aumento da oferta no mercado, não só por questões internas, mas também devido à autorização do governo para importação de países do Mercosul " , ressaltou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). " O que vemos em alimentação é uma série de produtos mais baratos. Vários refletem o dólar baixo, como os derivados de trigo: pão, macarrão e farinha de trigo " , acrescentou.

Na contramão do comportamento da maior parte dos alimentos, está o açúcar. Os preços do açúcar cristal e do açúcar refinado vêm sofrendo o impacto da quebra da safra de cana na Índia, o que reduziu a oferta mundial do produto. Em outubro, o açúcar cristal subiu 5,59%, contribuindo com 0,01 ponto percentual para a alta do IPCA de outubro. No ano, o produto já subiu 60,88%. Já o açúcar refinado avançou 9,56%, com 0,03 ponto percentual de contribuição para o IPCA de outubro e crescimento de 48,82% no ano.

De acordo com Eulina, a soma das contribuições do açúcar cristal e do açúcar refinado para o IPCA de 3,50% acumulado desde janeiro atinge 0,18 ponto percentual, equivalente a 5% do índice. Neste caso, os maiores impactos individuais são dos cursos formais, com 0,29 ponto percentual; refeição, com 0,27 ponto; empregado doméstico, com 0,27 ponto; cigarro, com 0,23 ponto; e ônibus urbano, com 0,20 ponto.

Eulina ressaltou que os alimentos contribuíram com 15% da alta de 3,50% do IPCA desde janeiro e acrescentou que, faltando dois meses para o fim do ano, não há no horizonte nenhuma pressão visível sobre os preços das commodities internacionais, exceção feita ao açúcar.

" Não deve ter nenhuma surpresa no que diz respeito aos alimentos " , disse Eulina.

Para novembro, são esperadas pressões do reajuste da telefonia celular de 4,5% que começou a ser aplicado em outubro. Segundo Eulina, o Rio de Janeiro já tem garantido para novembro o impacto do reajuste de 2,80% das tarifas de energia da Light, que começou a ser aplicado no dia 7 deste mês.

(Rafael Rosas | Valor)

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