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11/11/2009 - 11h49

Apagão mexe até com os DIs, que operam em alta na BM&F

SÃO PAULO - O apagão de energia elétrica, que tomou de assalto vários Estados do país na noite de ontem, é parte das justificativas para a alta das taxas de Depósitos Interbancários (DIs) na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) nesta quarta.

O forte crescimento da atividade chinesa e o aumento da inflação local um pouco acima do previsto são as outras razões para a abertura dos prêmios.

Por volta das 11h30, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de DI para janeiro de 2011 apontava alta de 0,04 ponto percentual, a 10,18%. Janeiro de 2012 avançava 0,02 ponto, a 11,52%. Janeiro 2013 ganhava 0,01 ponto, a 12,20%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em janeiro de 2010 também operava com aumento de 0,01 ponto, a 8,64%. Julho de 2010 avançava 0,02 ponto, a 9,06%.

Gestores do segmento comentam que o componente de incerteza sobre as razões que levaram ao apagão tendem a elevar as taxas. "Mesmo que os reservatórios estejam cheios, comenta-se que o sistema de transmissão estaria no limite e sendo muito exigido por uma forte demanda", diz um gestor de um banco em São Paulo.



Um excesso de demanda sempre pressupõe risco inflacionário e exigiria uma nova calibragem da política de juros no país. "Mas trata-se também de um conjunto de fatores favoráveis hoje ao aumento dos prêmios", acrescenta o gestor.

Ures Folchini, vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, avalia, no entanto, que a principal razão para o aumento das taxas está nos dados robustos da China.

Conforme dados divulgados hoje, a produção industrial da China teve expansão de 16,1% em outubro, no confronto com um ano antes. Foi o acréscimo mais expressivo desde março de 2008. Nos 10 primeiros meses de 2009, a produção industrial avançou 9,4%. As vendas no varejo da China cresceram 16,2% no mês passado, no comparativo há um ano, com alta acumulada de 15,3% no ano.

"A atividade no país veio muito forte", diz Folchini. Como a China vem sendo o motor de crescimento e recuperação das demais economias, o mercado levanta a perspectiva de que a economia no Brasil também possa crescer mais do que o projetado, o que também seria um fator de pressão para a política monetária.

Ao mesmo tempo, o dado oficial de inflação medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou elevação de 0,28% em outubro, acima do 0,24% apurado um mês antes e também maior do que a projeção de 0,25% feita pelo mercado.

(Bianca Ribeiro | Valor)

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